Venezuela pode seguir o caminho da Síria, diz Washington na ONU

(A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley- TIMOTHY A. CLARY / AF)

Os Estados Unidos alertaram na ONU, nesta quarta-feira (17), que a Venezuela poderá seguir o caminho de países como a Síria, se a instabilidade continuar a crescer e os direitos humanos não forem respeitados.

A Venezuela rejeitou, por sua vez, a “ingerência” dos Estados Unidos na crise, que já deixou 43 mortos nas últimas sete semanas, e garantiu na ONU que resolverá o seus problemas por conta própria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu a crise venezuelana hoje, a portas fechadas, a pedido dos Estados Unidos.

Para a Venezuela e para outros países, como Bolívia e Uruguai, a discussão no Conselho não é necessária, alegando que não há riscos para a paz, nem para a segurança internacional.

Falar da Venezuela no Conselho foi uma tentativa de “prevenção”, porque “já fomos por esse caminho antes, com a Síria, com a Coreia do Norte, com o Sudão do Sul, com o Burundi, com Myanmar”, disse à imprensa a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

“Claramente estamos começando a ver uma grave instabilidade na Venezuela”, afirmou.
A crise “não está melhorar, está piorar, e o que estamos tentando dizer é que a comunidade internacional precisa dizer ‘respeitem os direitos humanos das populações’, ou isso irá na direcção em que vimos tantos outros dirigirem-se”, advertiu.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou pela primeira vez muito preocupado com a situação na Venezuela e afirmou que está em contacto com vários mediadores para facilitar uma saída para a crise.

“A Venezuela é, para mim, uma grande preocupação” pelas dificuldades políticas e pela violência, mas também por suas “gravíssimas dificuldades económicas e sociais”, reconheceu Guterres, nesta quarta-feira, numa entrevista de imprensa em Estrasburgo, na França, acompanhado do presidente do Parlamento Europeu.

– ‘Não aceitamos ingerência’ –

Após a reunião do Conselho, o embaixador venezuelano na ONU, Rafael Ramírez, denunciou “a postura intervencionista” de Washington, que, em sua opinião, “estimula os grupos mais violentos”.

“A Venezuela resolverá os seus problemas internos (…) Nós mesmos faremos isso”, disse aos jornalistas, mostrando uma série de fotos de supostos manifestantes armados e de tanques da Guarda Nacional incendiados.

Haley garante que a Venezuela está “à beira da crise humanitária” e que a comunidade internacional deve trabalhar de maneira conjunta para garantir que o presidente Nicolás Maduro “devolva a democracia ao povo”. (Afp)

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