PM de Cabo Verde coloca água na fervura frente a reacção da Guiné Equatorial

Ulisses Correia e Silva reitera posição do seu Governo (Voa)

O Governo da Guiné Equatorial pediu ao ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde que respeite a “não-ingerência nos assuntos internos” de Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 19, pela missão permanente daquele país junto da sede da CPLP em Lisboa, o Executivo de Teodore Obiang disse que Abraão Vicente “deve ter presente, enquanto ministro, que um dos princípios fundamentais da CPLP é a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados-membros”.

A reacção surge depois de, em entrevista à publicação portuguesa Observador, o governante cabo-verdiano ter lamentado a falta de avanços da Guiné Equatorial em relação aos critérios para a sua adesão à CPLP, em Julho de 2014.

“Não é um país que fale português, não cumpre as regras democráticas, por algum motivo nós aceitámos, mas não podemos permitir elementos que estejam eternamente em transição. Temos de ser mais pragmáticos, ou cumpre ou não cumpre”, disse Abraão Vicente, atirando críticas também à CPLP.

Em reacção à posição da Guiné-Equatorial, o primeiro-ministro de Cabo Verde esclareceu que a posição do seu Governo é clara: “a Guiné Equatorial tem um roteiro a cumprir no que se refere à massificação da língua portuguesa e abolição da pena de morte”.

Ulisses Correia e Silva alertou, no entanto, que Abraão Vicente falou enquanto personalidade e não “na qualidade de ministro da Cultura de Cabo Verde”.

Correia Silva ainda reiterou a necessidade da Guiné Equatorial de cumprir o acordado e que isso será em conjunto com a CPLP e os países-membros.

De referir que as declarações de Abraão Vicente têm merecido comentários de vários círculos no país, com alguns analistas a considerarem que isso pode criar ruídos nas relações entre os dois Estados. (Voa)

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