FMI acompanha situação no Brasil e mantém previsão de crescimento

(Arquivo) Vista parcial da cidade de Brasília (Foto: Pedro Parente)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta sexta-feira que mantém, “por enquanto”, sua previsão de crescimento de 0,2% este ano para o Brasil, e acompanha de perto a aguda instabilidade política no país.

Acusado por denúncias de corrupção, o presidente Michel Temer assegurou na quinta-feira que não irá renunciar, mas as declarações contra ele sacudiram a economia, ao ponto de a Bolsa de São Paulo ter que interromper temporariamente suas operações ao cair mais de 10%.

Num relatório publicado nesta sexta-feira em Washington, o Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI manteve a previsão de 0,2% para o PIB brasileiro neste ano, que já havia expressado em Abril.
É “muito prematuro avaliar as consequências dos eventos que ainda estão em andamento”, declarou o director deste departamento, Alejandro Werner.

Werner assinalou que a “volatilidade aumentou quinta-feira em resposta aos recentes eventos”, fazendo referência à incerteza sobre a continuidade de Temer à frente do governo e a renúncia de um seus ministros.

“Estaremos acompanhando de perto a situação nas próximas semanas para avaliar se precisaremos alterar nossa projecção. Por enquanto mantemos a previsão” de crescimento, expressou o economista.

Há apenas um mês, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial em Washington, a directora-geral Christine Lagarde expressou a impressão de que a maior economia da América Latina parecia ter “feito a curva” depois de dois anos de recessão.

O Brasil viveu um forte retrocesso de 3,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e em 2016 a queda foi de 3,6%, em uma sequência que representa os piores resultados da série histórica iniciada em 1948.
No entanto, nesta mesma conferência de imprensa, Christine Lagarde havia ressaltado que o sucesso dos esforços para combater a corrupção eram de importância “crítica”.

A crise política brasileira sofreu uma enorme escalada na quarta-feira à noite com a divulgação de informações sobre uma gravação em que o presidente Michel Temer dá seu aval ao pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que está preso acusado de ter aceitado milhões de dólares em subornos.

Na quinta-feira, Temer rechaçou enfaticamente a possibilidade de renunciar depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito contra ele.
Temer enfrenta agora oito solicitações de impeachment apresentadas no Congresso e uma dura batalha para manter sua base aliada unida. (Afp)

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