EUA impõem sanções contra juízes do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: Fayez Nureldine/AFP)

O governo Trump impôs sanções contra o juiz-chefe e sete outros membros do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela nesta quinta-feira, como punição pela tomada de poderes do Congresso, liderado pela oposição, anteriormente neste ano, disseram autoridades norte-americanas.

O novo pacote de sanções tem como objectivo de aumentar pressão sobre apoiantes do governo de esquerda do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em meio a crescente preocupação dos Estados Unidos sobre uma repressão de manifestações em massa nas ruas.

A mais recente onda de manifestações contra o governo na Venezuela, que deixou pelo menos 44 mortos nas últimas seis semanas, teve início com o Tribunal Supremo de Justiça, repleto de leais a Maduro, assumindo poderes do Congresso, liderado pela oposição, no final de Março.

Houve condenação internacional rápida e ampla da anulação de fato da Assembleia Nacional, que a oposição venceu no final de 2015 durante uma crise económica e social sem precedentes, que tem feito a popularidade de Maduro cair. A decisão foi parcialmente revertida posteriormente.

“O povo venezuelano está sofrendo por uma economia em colapso devido à má administração e corrupção de seu governo. Membros do Tribunal Supremo de Justiça do país agravaram a situação ao interferirem constantemente com a autoridade do ramo legislativo”, disse o secretário de Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, em comunicado.
“Ao impor estas sanções direccionadas, os Estados Unidos estão apoiando o povo venezuelano e os seus esforços em proteger e avançar a o governação democrática no seu país.”

Entre os atingidos pelas sanções está Maikel Moreno, aliado de Maduro que se tornou presidente do tribunal de 32 juízes em Fevereiro. Todos os alvos tiveram os seus bens congelados dentro de jurisdição dos EUA e cidadãos norte-americanos serão barrados de realizar negócios com eles, informou o Departamento do Tesouro.
Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do país de 30 milhões de habitantes em protestos contra o governo de Maduro, exigindo eleições, liberdade para activistas presos, ajuda estrangeira e autonomia para o legislativo, liderado pela oposição.

O governo de Maduro acusa rivais de buscarem um golpe violento e diz que muitos dos manifestantes não são mais que “terroristas”.

O Departamento do Tesouro no passado sancionou autoridades e ex-autoridades venezuelanas, acusando-as de tráfico ou corrupção, uma designação que permite que seus bens nos EUA sejam congelados e barra realização de transacções financeiras pelos EUA. (Reuters)

por Patricia Zengerle e Matt Spetalnick

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