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“Eu e o presidente da Renamo não queremos intermediários informais”
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“Eu e o presidente da Renamo não queremos intermediários informais”

O Presidente da República, Filipe Nyusi, iniciou ontem uma visita de três dias à província de Maputo, tendo escalando, ontem, a localidade de Macaneta, no distrito de Marracuene. Neste ponto, Nyusi visitou uma feira agro-pecuária e dirigiu um comício popular.

No comício, alguns grupos culturais, através de canções, exigiram a paz no país e o Presidente da República, no seu discurso, tratou de explicar os passos que estão a ser dados para que as armas calem de uma vez por todas. Filipe Nyusi explicou que há duas equipas formadas por elementos indicados pelo governo e pela Renamo que estão a discutir o processo de descentralização e as questões militares, respectivamente, por isso, deixou garantias de que, em breve, essas equipas vão apresentar soluções para uma paz efectiva no país.

Por outro lado, esclareceu que ele e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, têm estado a conversar com frequência e que as conversas têm produzido consensos que permitem que haja avanços no diálogo. E lançou o seguinte alerta: “eu e o presidente da Renamo não queremos intermediários informais, esses que querem procurar respostas sobre uma coisa que eles querem saber. se quiserem ajudar, dêem a cara e participem no processo, não perturbem o que está a acontecer. Porque, se inventarmos histórias a pensarmos que estamos a ajudar, estamos a pressionar, e você não sabe o que as pessoas estão a combinar. isso é perigoso, porque cria desconfiança de novo e nós já estamos a sair desse ambiente de desconfianças entre moçambicanos”, disse, sem especificar de quem estava a falar e quem são as pessoas que procuram interferir nas conversações entre o governo e a Renamo.

Ainda sobre este assunto, o Presidente da República disse que “a esperança do povo está a ser construída, acreditamos que um dia terá que ficar claro que neste país não há guerra. Portanto, estamos a trabalhar, não preciso de estar a andar na estrada a correr, tirar a camisa e dizer estou a falar. Estou a falar, não é isso que o povo quer? O povo quer resultado daquilo que estamos a fazer”, disse.

Esta sexta-feira, o Chefe de Estado escala os distritos de Magude e Namaacha e, no sábado, vai visitar Boane e Moamba.

Trabalhar para vencer a crise

Ainda no comício, o Presidente da República disse ao povo de Marracuene que foi visitar o distrito para fazer uma monitoria ao cumprimento do Plano Quinquenal do Governo, mas também se colocar à disposição para a prestação de contas daquilo que foi feito e do que ainda há para fazer. Por isso, convidou os presentes a subirem ao pódio para apontar o que correu mal, o que há por corrigir e o que fazer para melhorar a vida dos residentes de Macaneta e de Marracuene no geral.

O chefe de Terras, Carlos Macaneta, foi o primeiro a dirigir-se ao Presidente. Elogiou o Governo pelas realizações que aconteceram nos últimos anos e citou a instalação da escola secundária, centro de saúde e energia eléctrica. Mas o que mais o agrada é a construção da ponte sobre o rio Incomáti, que criou outra dinâmica ao turismo na praia de Macaneta. Carlos Macaneta disse que os residentes que apenas se dedicavam à pesca, agora, trabalham também nas estâncias turísticas e começaram a melhorar as suas habitações e os filhos já vão à escola.

Outro interveniente foi Fernando Massinga, no povoado de Hobwana, o qual disse que a sua localidade está esquecida. Desde 1998 que lhes foi prometida uma escola, porém, 19 anos depois, ainda não existe e as crianças estudam debaixo de árvores e na capela da igreja católica. Percorrem sete quilómetros para ter acesso ao hospital e não têm energia eléctrica. Os residentes do posto administrativo de Taúla também pediram energia eléctrica e uma estrada ao Presidente Nyusi. Disseram que têm enormes potencialidades agrícolas e de turismo, como o rio e o mar, mas é difícil chegar a Machubo e a outros locais, facto que não atrai investidores.

O Chefe de Estado disse que anotou as preocupações, mas apelou aos residentes daquela região para se dedicarem mais ao trabalho, porque isso vai fazer com que não reclamem da crise económica. Filipe Nyusi aconselhou os residentes a apostarem nas potencialidades agrícolas oferecidas pelo rio Incomáti, que dispõe de uma extensa baixa e extensas praias que permitem o desenvolvimento do turismo, mas também da pesca. (O Pais)

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