Optimismo cauteloso sobre indústria no Salão do Automóvel de Genebra

(Afp)

Reunidos no 87º Salão do Automóvel de Genebra, que foi aberto nesta terça-feira à imprensa, os principais fabricantes expressaram um optimismo cauteloso sobre as perspectivas da indústria para 2017, apesar do clima de incerteza política.

O assunto mais comentado entre os presentes era o anúncio do grupo francês PSA, no dia anterior, de um acordo com a General Motors (GM) para comprar sua filial europeia de automóveis, proprietária da Opel e da Vauxhall, por 1,3 bilhão de euros (US$ 1,365 bilião), criando a segunda fabricante de automóveis da Europa.

Com as vendas europeias quase de volta a níveis vistos pela última vez em 2008, os fabricantes de automóveis estão comemorando o fim de uma crise financeira global que afectou a indústria.

Apesar de uma onda de incertezas políticas e da sombra persistente do escândalo de emissões da Volkswagen, revelado em 2015, os executivos estavam amplamente optimistas sobre as perspectivas para o próximo ano.

“O que vemos em 2017 é um mercado mais estável, com um ligeiro crescimento, é uma situação que nos convém”, disse à AFP o presidente-executivo da PSA, Carlos Tavares, um dia depois de assinar o acordo.

“O que é importante é preservar a rentabilidade do negócio (…) para estar em uma situação em que podemos absorver quaisquer flutuações no mercado”.

Juergen Stackmann, chefe de vendas da Volkswagen, tinha uma perspectiva semelhante.

“Estamos esperando um mercado europeu estável este ano, provavelmente com desafios regionais”, disse, em referência à incerteza sobre o impacto do voto pela saída do Reino Unido da União Europeia.

A venda das marcas europeias da GM ocorre em um momento de turbulência política com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e as eleições na Alemanha, França e Holanda, com uma incerteza que pode afectar o crescimento e a confiança dos consumidores.

Economia e glamour

Na opinião do director-executivo da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, dizer que “o Velho Continente oferece risco geopolítico a uma multinacional” é um pouco “fora de proporção”, declarou em referência velada à justificativa da GM para sair da Europa.

“Estamos enfrentando muitos factores de incerteza no mercado europeu (…) que vão ter um efeito negativo”, previu, por outro lado, o presidente e CEO da Toyota, Johan van Zyl.

Dados divulgados pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) que sugerem um crescimento de apenas 1% no sector neste ano apoiam esta posição mais cautelosa.

No salão do ano passado, a indústria estava sob a sombra do escândalo de falsificação dos testes de emissões dos veículos a diesel da Volkswagen, que custará biliões em multas e indemnizações.

O escândalo tem focado a atenção nas emissões e nos desafios enfrentados pelas montadoras na fabricação de carros que atendam regras de poluição cada vez mais rigorosas.

Os fabricantes de automóveis estão agora se orientando em direcção a motores que emitam no máximo 95 gramas de dióxido de carbono por quilómetro em 2021, em comparação com 130 gramas em 2015, de modo a atender às exigências europeias.

Mas mesmo com a maior ênfase na economia do combustível, o salão em Genebra provavelmente não decepcionará em termos de glamour, com a Ferrari, a Lamborghini, a McLaren e a Bentley preparadas para apresentar novos modelos.

O maior alvoroço pode vir dos veículos crossover, que combinam características de veículos utilitários desportivos (SUVs) com as de automóveis de passeios.

Cerca de 180 empresas estarão presentes no salão, de 10 dias, que no ano passado atraiu 687.000 visitantes. (AFP)

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