Jogar videogames pode reforçar atitudes sexualistas em adolescentes (estudo)

Videogame portátil da Nintendo, no dia 29 de setembro de 2010 (Afp)

Quanto mais tempo um adolescente passa jogando videogames, mais propenso a mostrar atitudes sexistas e estereótipos de género ele fica, segundo um estudo com milhares de usuários franceses publicado nesta sexta-feira.

O estudo, realizado por uma equipe de pesquisadores franceses e americanos, comparou o tempo gasto por 13.520 jovens jogando videogames com as suas atitudes em relação às mulheres e aos papéis de gênero.

Os resultados, publicados na sexta-feira na revista Frontiers in Psychology, sugerem que o aumento da exposição aos videogames está associado a níveis mais altos de estereotipo e sexismo entre os adolescentes, principalmente entre os meninos.

“As representações sexistas saturam a publicidade, a televisão e o cinema, e os videogames não são excepção”, disse à AFP o coactor do estudo Laurent Begue, da Universidade de Grenoble.

“A análise de conteúdo mostrou que as mulheres estão sub-representadas em videogames populares. Elas têm papéis passivos, são princesas que precisam ser salvas ou objectos secundários e sexualidades de conquista”, acrescentou.

Embora as mulheres sejam as principais vítimas dos estereótipos, os homens também são afectados, sendo retratados como “mais activos, armados e musculosos”.

A pesquisa envolveu meninos e meninas de 11 a 19 anos, residentes nas cidades de Lyon e Grenoble, e cujo tempo de jogo variava de uma a 10 horas por dia.

Pesquisadores da Universidade Savoie Mont Blanc, na França, e da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, também colaboraram no projecto.

Experimentos anteriores mostraram que jogar videogames específicos por alguns minutos pode reforçar atitudes sexualistas, mas o novo estudo é a primeira análise em larga escala do fenómeno entre os adolescentes.

Begue advertiu que, apesar da ligação “estatisticamente significativa” entre sexismo e videogames, a influência dos jogos sobre as atitudes dos adolescentes permanece limitada.

O fervor religioso é um determinante maior do sexismo, observaram os pesquisadores. A televisão, por outro lado, teve um impacto menor do que os videogames. (AFP)

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