Unta-CS defende manutenção dos empregos dos trabalhadores

Manuel Viage - Secretário Geral da UNTA (Foto: Gaspar Dos Santos)

Em função da realidade económica que o país atravessa, que se consubstancia numa crise económica, A Unta – Confederação Sindical advoga a manutenção dos empregos dos trabalhadores, em detrimento da exigência de novos direitos para os mesmos.

Essa posição foi defendida hoje, sexta-feira, em Luanda, pelo secretário-geral da Unta-CS, Manuel Viage, em declarações à Angop sobre a actual condição social dos trabalhadores angolanos, a margem dos trabalhos da III reunião ordinária do seu conselho federal.

Segundo o responsável, a organização que representa assume essa posição porque parte do princípio que os trabalhadores só o são quando existem empresas.

“ Defendemos que quando as empresas enfrentam dificuldades, os trabalhadores têm que comparticipar do esforço dos gestores no sentido de se ultrapassar os maus momentos”, disse.

Manuel Viage destacou que a Unta-CS opta por um sindicalismo de parceria, que faça com que as empresas possam se reerguer no mais curto espaço de tempo, do que criar políticas sindicais que agravem os custos das empresas.

Com efeito, a instituição é de opinião de que a redução dos custos operacionais das empresas, não podem significar automaticamente o despedimento de trabalhadores.

Indagado sobre as outras grandes preocupações dos trabalhadores no actual contexto económico-social do país, o secretário-geral avançou a questão dos salários, que perderam o seu poder de compra, fruto da taxa elevada de inflação que se assiste nos últimos dois anos.

“ Há uma taxa assinalada de inflação que supera os 50 pontos percentuais, sem que para isso houvesse uma compensação salarial à mesma medida. A falta de poder de compra que os salários têm é a maior reivindicação dos trabalhadores angolanos”, afirmou.

O responsável opinou que qualquer ajustamento que se venha a fazer no sistema remuneratório, deve prever uma taxa de ajustamento igual a taxa de inflação esperada.

“ Neste momento estima-se que a taxa de inflação esperada para 2017 é de cerca de 15 pontos percentuais, então a taxa de ajustamento também devia ser a mesma, para que haja um efeito amortizador”, enfatizou.

O secretário-geral da Unta-CS disse que a sua instituição tem se debatido para que não haja despedimentos quer a nível da função pública, quer a nível do sector privado, embora reconheça que nesta última a situação é mais complexa.

“ O Estado não está a despedir ninguém e nós lutamos para que assim continue. Já no sector privado também defendemos o mesmo e têm se registado situações de negociação colectiva para se evitar o desemprego”, disse.

Acrescentou que o desemprego cria um efeito perverso muito grande, e que o desempregado perde o norte e pode se registar a desestruturação das famílias.

A III reunião ordinária do conselho confederal da Unta-CS está a analisar o plano de actividades para 2017, estratégia de revitalização das estruturas da instituição, plano indicativo da jornada sindical do trabalhador-1º de Maio, o sindicato e as eleições 2017, a implementação do regime jurídico do trabalhador doméstico, dentre outras questões. (Angop)

DEIXE UMA RESPOSTA