“Telefone de Hitler” é falso, assegura especialista

Coleccionadores também duvidam de autenticidade da relíquia nazista (AP)

Director de Museu de Comunicações de Frankfurt aponta discrepâncias quanto a suposto telefone vermelho do ditador nazista. Casa de leilões posta fotos na internet – e agrava as dúvidas sobre a autenticidade do aparelho.

Pode ser uma fraude o telefone vermelho que supostamente pertenceu a Adolf Hitler, arrematado por 243 mil dólares em 19 de Fevereiro por um comprador não identificado. Pelo menos essa é a opinião de Frank Gnegel, director do departamento de colecções do Museu de Comunicações de Frankfurt.

“Trata-se claramente de uma falsificação”, afirmou o especialista ao conceituado jornal Frankfurter Allgemeine. “O telefone em si foi produzido pela Siemens & Halske, mas o fone é de um aparelho inglês. Nunca se produziu desse modo. Ele deve ter sido posteriormente montado na Inglaterra”, onde esteve durante um bom tempo, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

A casa de leilões Alexander, que vendeu o telefone nos Estados Unidos, argumenta tratar-se de uma construção especial, para que o fone não caísse do aparelho durante o transporte, feita por uma sucursal da Siemens no Reino Unido que teria cooperado estreitamente com a matriz até o início da guerra.

“Essa afirmação é bastante idiota”, rebate Gnegel, pois se nota que a peça inglesa não se encaixa bem no aparelho alemão. “Por que uma firma no Reino Unido construiria um fone para Hitler? A Siemens teria certamente fabricado com prazer um novo telefone para ele.”

O especialista prossegue argumentando que a Siemens teria fornecido “um exemplar condizente, de plástico tingido, em vez de pintar um telefone preto, de maneira anti-profissional”.

“Tudo o que tinha a ver com Hitler era produzido com a mais alta qualidade, por que simplesmente se pintaria por cima da gravura? Além disso, era totalmente implausível Hitler ter um aparelho com dial rotativo, já que ele era sempre conectado manualmente à rede telefónica.”

No museu em Frankfurt, Gnegel é responsável por uma das colecções mais importantes sobre a história da telefonia na Europa, com um total de 2 mil aparelhos datando a partir do ano 1881.

“Um telefone quebrado e uma boa história”

Em reacção às ressalvas quanto à autenticidade do objecto, a casa de leilões americana postou na internet fotos do interior do aparelho. A medida, contudo, só agravou as dúvidas entre coleccionadores e entusiastas de telefones.

O restaurador holandês Arwin Schaddelee, por exemplo, lista em seu blog uma série de discrepâncias. “Ele está marcado W38, uma designação empregada pelos correios alemães. Isso indica que foi originalmente fornecido por eles. Se fosse um telefone feito sob encomenda pela Siemens & Halske, ele, por definição, não seria conforme com as especificações W38.”

“Alguém encontrou um interessante aparelho quebrado incompleto, o consertou, pintou e inventou uma boa história que combinasse”, é a conclusão de Schaddelee sobre o objeto anunciado pelos vendedores como “arma de destruição em massa”. (DW)

AV/ots

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