EUA: Partido Democrata terá líder hispânico pela primeira vez

O então secretário do Trabalho Thomas Perez (esq.), na Casa Branca, em 12 de fevereiro de 2014; e o congressista por Minnesota Keith Ellison, no National Press Club, em 24 de maio de 2016, em Washington (Afp)

Os democratas elegeram Tom Perez como seu novo líder, neste sábado (25), o primeiro americano de origem hispânica nesta posição, que vai dirigir o partido com um roteiro claro: enfrentar o presidente Donald Trump e reorganizar as bases para tentar recuperar a maioria nas próximas eleições.

Com seu futuro em jogo, os democratas já se preparam para as eleições legislativas de meio de mandato em 2018 e para a presidencial, no final de 2020.

Perez, de 55 anos, nasceu no estado de Nova York, mas com raízes dominicanas. É muito próximo do ex-presidente Barack Obama, de quem foi secretário do Trabalho.

Obama felicitou o “amigo” imediatamente e disse estar convencido de que Perez será capaz de reunificar o partido e “preparar o terreno para uma nova geração de líderes democratas”.

Perez foi eleito presidente do Comité Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) com 235 votos a favor dos 435 em jogo.

Em seguida, o candidato do “establishment” estendeu as mãos a seu rival mais forte, Keith Ellison, que obteve 200 votos.

Ellison, de 53, também convocou a unidade de seus correlegionários, após aceitar sua derrota.

“Eu lhes peço que façam todo o possível para apoiar Perez (…) Não devemos nos permitir deixar esta sala divididos”, afirmou.

O novo líder democrata, cujo nome chegou a ser cogitado como possível vice-presidente de Hillary Clinton em caso de vitória, fez um apelo pela unidade. Para ele, sua nomeação é um ponto de inflexão na história do partido.

“Vão nos perguntar: ‘onde vocês estavam em 2017, quando tivemos o pior presidente da história dos Estados Unidos?’. E seremos capazes de responder que reunimos o Partido Democrata e que esse presidente teve apenas um mandato”, declarou.

Nos Estados Unidos, o presidente de um partido não tem a mesma função do que em outras democracias. Não é o rosto visível da oposição – papel que costuma ficar com as lideranças no Congresso -, tampouco estabelece as prioridades do partido.

Seu trabalho consiste, principalmente, em arrecadar fundos e promover os actos do partido em nível nacional. Também deve organizar o funcionamento no nível local, administrando as bases de dados dos eleitores.

Sua função é crucial, sobretudo, durante as prévias presidenciais, devendo garantir a transparência e a imparcialidade de todo o processo. (AFP)

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