Cabo Verde recebe equipamentos para seguimento de síndrome congénita do Zika

(Arquivo) Vista parcial da Cidade da Praia, capital de Cabo Verde (Foto: Santos Garcia)

O Hospital Dr. Agostinho Neto, principal unidade de saúde de Cabo Verde e que funciona na cidade da Praia, recebeu, segunda-feira, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) dois equipamentos para reforçar a capacidade de diagnóstico e seguimento de crianças afectadas com a síndrome congénita do Zika.

Trata-se de equipamento destinado a garantir um melhor acompanhamento do fenómeno que está na base do surgimento da microcefalia em recém-nascidos, apurou a PANA de fonte autorizada.

A doação inclui um aparelho de eletro-encefalograma e um aparelho para medição das otoemissões acústicas que custaram três milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 28 mil euros).

O hospital Agostinho Neto atende 13 crianças afectadas com a síndrome congénita do Zika, uma situação que, de acordo com pesquisadores provoca, além da microcefalia, uma série de outros sintomas nos bebes infectados durante a gestação.

Em declarações à imprensa, à margem do ato de entrega do donativo por parte da coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, o director da unidade hospitalar da capital cabo-verdiana, Júlio Andrade, disse que os equipamentos não só beneficiarão as crianças com síndrome congénita do Zika, mas todos os que possuem atrasos de desenvolvimento psicomotor.

“É importante porque irá permitir-nos criar mecanismos de acompanhamento dessas crianças”, disse o clínico, reconhecendo, entretanto, a necessidade de se investir em áreas como oftalmologia, psicologia e ginecologia para que haja uma abordagem integral das crianças e das famílias.

Também o ministro cabo-verdiano da Saúde, Arlindo do Rosário, que fez uma breve referência sobre a epidemia de Zika e as sequelas que deixou no país com os casos de microcefalia, considerou “relevantes” os equipamentos ora recebidos para tratamento e diagnóstico das crianças.

“É, pois, no âmbito de uma política de inclusão e de não deixar ninguém para trás, que se está a trabalhar para que as famílias e crianças com síndrome congénita do Zika e não só recebam um bom tratamento”, realçou.

Para a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson,
é do interesse do UNICEF fazer com que “cada criança que nasça com este problema tenha acesso a um acompanhamento adequado para ter melhor qualidade de vida”.

Em Agosto do ano passado, o conselheiro global dessa agência especializada das Nações Unidas, Koenraad Vanormelingen, tinha elogiado a resposta de Cabo Verde aos casos de crianças com microcefalia associados a mães infectadas pelo vírus Zika.

No final de uma visita de quatro dias a Cabo Verde, para se informar sobre as iniciativas do país em matéria de resposta à epidemia de Zika, Koenraad Vanormelingen sugeriu também um intercâmbio entre o país e o Brasil.

O Brasil é outro país afectado pela epidemia, e que tem sido igualmente elogiado pela resposta que tem dado a casos de microcefalia em crianças.

Segundo o especialista, “Cabo Verde fez um trabalho muito bom porque tem um compromisso político importante com um plano intersectorial, e tem correspondido muito bem em termos de cuidados e atenção às crianças afectadas por essa doença”. (PANA

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