Recuperação fulminante – Preço do petróleo pode atingir USD 70 em 9 meses

(Foto: D.R.)

O preço do petróleo empreendeu uma recuperação fulminante após os 14 membros da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, terem alcançado esta quarta-feira um acordo histórico, que corta a produção total da organização em 1,2 milhões de barris diários, a que se acrescentarão 600 mil barris retirados do mercado por produtores que não pertencem à organização, com a Rússia à cabeça (compromete-se a reduzir a produção em 300 mil barris).

O excesso de oferta que vinha desequilibrando o preço do barril, puxando-o para baixo, é estimado em 2 milhões de barris por dia. Ora, a implementação do acordo conseguido pela OPEP, com um corte na oferta de 1,8 milhões de barris diariamente, conduz ao equilíbrio de oferta e demanda no mercado, o que acontecerá no início do próximo ano, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), que exprime a posição dos países consumidores.

O mercado interioriza as consequências do acordo e sabe que pelo menos 300 mil barris por dia produzidos fora da OPEP sairão do mercado, dado que as próprias grandes produtoras russas, como a Rosnef e Lukoil, já anunciaram a sua adesão ao acordo, devendo acelerar o declínio dos seus poços mais antigos.

A recuperação do preço é, de facto, fulminante. Desde a véspera da reunião da OPEP o preço do barril de Brent, referência das ramas angolanas, avançou 11,32% na praça de Londres, passando de USD 46,4 para USD 53,7, portanto a caminho de um ganho imediato de USD 5, como prognosticaram alguns analistas, como os do banco JP Morgan.

O objectivo da OPEP é secar os stocks em excesso da matéria-prima existentes. Quanto mais elevados forem os stocks mais o preço do petróleo tenderá a descer. A OPEP quer colocá-los a um nível que estabilize o preço do barril de petróleo nos USD 60.

O secretário-geral da organização, Mohammas Barkindo, acentuou, em entrevista à televisão da Bloomberg, que os cortes irão acelerar a diminuição de stocks.

O sentimento generalizado é de que o preço do petróleo vai subir. O ministro do Petróleo da Venezuela, um dos membros da OPEP mais entusiastas da política de cortes da produção, Eulogio del Pino, considera que dentro de nove meses o nível de stocks voltará ao normal, podendo o preço do barril subir para USD 70.

Os analistas continuam, entretanto, a chamar a atenção para os detalhes da concretização do acordo e para a possibilidade de o foco se virar para uma eventual resposta da oferta por não membros da organização e, principalmente, pela produção norte-americana de petróleo não convencional, assente na fracturação do xisto. A principal causadora, aliás, da crise do preço do petróleo. (OPAIS)

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