Proteccionismo de regresso

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)

O proteccionismo é provavelmente uma das maiores ameaças à economia mundial com a ascensão dos movimentos nacionalistas e populistas nos países desenvolvidos.

Com o pretexto de salvar empregos, os referidos movimentos reivindicam medidas que directa ou indirectamente penalizam a compra de bens e serviços estrangeiros. Reivindicações que, como é evidente, soam como música celestial aos ouvidos de vastos sectores das opiniões públicas locais.

Felizmente, a escalada do proteccionismo a nível internacional também desencadeia um coro de alertas para os perigos que tal prática comporta para a economia mundial. Não é caso para menos.

A troca de bens e serviços entre países proporciona aos consumidores domésticos uma maior variedade de bens e serviços com melhor qualidade e a um preço mais baixo.

A eficiência económica também melhora já que a concorrência obriga as empresas a produzir a custos mais baixos, reduzindo o desperdício de recursos escassos.

Contudo, da mesma forma que não há almoços grátis, o comércio livre também tem custos.

No caso presente, a maior parte da factura do proteccionismo será paga pelos países emergentes cujo crescimento é altamente dependente do comércio internacional em geral e das exportações para os países desenvolvidos em particular.

O facto do proteccionismo ter origem nos países desenvolvidos não é mera coincidência, é hipocrisia. Veja-se o que se passa no sector agrícola onde os países em desenvolvimento dispõem de vantagens comparativas assinaláveis.

Ao mesmo tempo que acusam os países emergentes de lhes roubarem os empregos na indústria com “dumping” social, os proteccionistas dos países desenvolvidos defendem com unhas e dentes os generosos subsídios aos seus agricultores, que os põem a salvo da concorrência internacional. (expansao)

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