Falemos também do cidadão

JOSÉ KALIENGUE Jornalista. Director do diário O PAIS (Foto: D.R.)

As eleições aproximam-se a passos largos, vamos todos falar de política e de economia. A propaganda e as promessas vão ressurgir com mais força. Vai ser animado. Para os observadores atentos e sem paixões, as campanhas eleitorais têm sempre o seu lado animado também.

Por vezes cómico. No entanto, eu gostaria que se discutisse também o angolano. O tipo de cidadão que se pretende para este país. Queremos pessoas sem pudor e que fazem xixi na rua à qualquer hora e em qualquer lugar? As cidades não estão humanizadas?

Então como se fará para não termos ruas a cheirar à pivete? Queremos alcoólatras que lavam a boca com cerveja? Estão desempregados? Como promover o emprego e a formação? Queremos raparigas que se prostituem por um telefone? Falta moral? Como se ensina a dignidade?

Temos milhares de pastores ladrões que usam a bíblia? Como prender essa gente e indicar outros caminhos às pessoas? Temos muita gente que se aproveita da política para usurpar o que não lhe pertence? Como acabar com esta praga? Para o fiscal, o agente da Polícia, o comprador da empresa, a sua acção só faz sentido se houver micha? Como reeducar essa gente? Tudo isto, incluindo o médico incompetente, deve ser discutido.

Porque por onde vão as coisas, venham as mais belas teorias políticas. Porque, no ritmo e no tom como vão as coisas, venham as mais belas teorias políticas e económicas. E não vai dar. Com cidadãos de má qualidade, não vai dar mesmo . (OPAIS)

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