UNITA e MPLA travam-se de razões em Benguela

Debate entre Adalberto da Costa Júnior (direita) e Jose Bento Cangombe (centro) (Voa)

Após o protesto na Assembleia Nacional quando o Presidente da República falava sobre o estado da Nação, a UNITA voltou a mostrar um cartão vermelho ao Governo do MPLA, criticando a corrupção institucional, a má governação e a ausência de liberdades.

Num debate sobre cidadania e democracia participativa promovido pela Universidade Jean Piaget, Pólo de Benguela, o deputado Adalberto da Costa Júnior afirmou que os decisores não prestam contas à população.

O representante do MPLA, o jurista José Bento Cangombe, disse que o momento não era de reflexão, pelo que não podia prestar contas sobre o programa sufragado nas últimas eleições.

Cedo se percebeu que os mais de 500 participantes, maioritariamente estudantes universitários, teriam um Adalberto da Costa Júnior a jogar ao ataque.

“Saibam, como veremos adiante, que vocês não têm cidadania, não têm direitos. Infelizmente, vocês não têm os direitos que deveriam ter, é lamentável’’, sustentou o parlamentar

Bento Cangombe, professor universitário, preferiu desvalorizar o discurso político-partidário, colocando o acento tónico na angolanidade

“Há um grande erro nesta abordagem. Quando falamos de cidadania, parece que, primeiramente, somos de um partido político antes de sermos angolanos’’, salientou.

Vários minutos depois, mas antes de ter exibido o cartão vermelho que mostrou ao Presidente José Eduardo dos Santos, o líder da bancada parlamentar da UNITA falou do que julga ser a Angola real.

Da má governação aos desvios de fundos públicos, passando pela pobreza, Adalberto da Costa Júnior lembrou que as autarquias, empurradas para 2021, podem responder a muitas preocupações.

“Estamos em Benguela, era bom que vocês pudessem escolher os que vos governam. Acontece, porém, que o partido do Dr. Cangombe não quer, não dá resposta a estas situações. Prefere mandar para cá pessoas como o Dr. Cangombe’’, salientou, perante risadas da plateia.

Coragem esta que o levou a fazer uma reflexão em torno da história recente dos angolanos.

“Para encontrarmos quais são as razões que travam o funcionamento das nossas instituições, as coisas não podem avançar como o Eng. Adalberto pretende, temos de olhar para a nossa evolução histórica e cultural’’, defendeu-se Cangombe.

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