Todo o Brasil cabe em Chapecó

Cidade amanhece em choque com queda de avião da Chapecoense que matou 71 pessoas.

Os moradores de Chapecó tiveram um duplo susto na madrugada desta terça-feira. O primeiro foi o dilúvio que em questão de horas alagou a região central da cidade como nunca antes. O segundo choque, que chegou horas depois, fez com que muitos concluíssem que a inundação era um sinal de que algo ruim estava acontecendo: os jogadores da Chapecoense, clube de futebol desta cidade de 210.000 habitantes de Santa Catarina, haviam sido vítimas de um desastre de avião na Colômbia, onde iriam disputar a final da Copa Sul-Americana. Ao menos 71 pessoas – entre jogadores e funcionários da equipe, jornalistas e tripulantes – morreram e outros seis sobreviveram quase por milagre.
Com as primeiras notícias da tragédia, centenas de torcedores transformaram a dor e o luto em uma marcha ao estádio do time que se confunde com a cidade. A homenagem, ainda de manhã, foi uma oração coletiva. À tarde, o silêncio tomou conta de um lugar que, nos últimos tempos, se acostumou a incontáveis alegrias e glórias.“A Chapecoense é tudo para a gente. É nossa diversão, nossa alegria. Principalmente nos últimos quatro anos. Não é fácil não, viu?”, diz Luiz, um taxista da região.

O choque era também a dor de ver a equipe “de todos os moradores de Chapecó” interromper uma ascensão sem precedentes. A equipe vinha ganhando vários títulos importantes e conseguiu subir para a série A no ano passado. O auge dessa boa fase, que faria o time ganhar a simpatia de torcedores por todo o Brasil, veio neste ano, com o nono lugar no campeonato brasileiro. A meta era a consagração em uma inédita final da Copa Sul-Americana na Colômbia, onde tudo acabaria precipitadamente com o acidente com o avião. Nesta terça, muitos diziam o mesmo: o sonho acabou.

A aeronave acidentada, de uma companhia que opera na Bolívia, reportou uma falha elétrica antes de destroçar no noroeste da Colômbia, mas as causas do acidente ainda estão sob investigação. Os corpos deverão ser identificados na colombiana Medellín, e só depois poderão ser trazidos ao Brasil, segundo confirmou um assessor da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Médicos do clube, advogados e legistas embarcaram para a cidade para acompanhar o reconhecimento das vítimas.

Em Chapecó, a CBF havia inicialmente disponibilizado um avião que, ao meio-dia desta quarta-feira, levaria os familiares das vítimas até São Paulo para aguardar a decisão a respeito do reconhecimento dos corpos. Entretanto, autoridades colombianas notificaram ainda no meio da tarde desta terça que, por questões legais, as vítimas deveriam ser identificadas em Medellín. Muitos familiares decidiram então embarcar ainda nesta terça para São Paulo e, de lá, para a Colômbia, ainda que a CBF frisasse que não era necessário.

A informação era de que as autoridades colombianas estavam trabalhando de forma célere, mas era pouco consolo para os familiares das vítimas e torcedores. “Este é o pior dia da minha vida. A única coisa que quero agora é trazer meu filho de volta”, dizia, entre lágrimas, Luiz Carlos Agnolin, pai de um dos mortos, o jornalista Renan.

Dor especial para as crianças

“É complicado. Esta cidade respira o futebol. Mas está sendo mais difícil para as crianças de 10 ou 11 anos, que estavam aprendendo a amar a Chapecoense. Minha filha queria vir para o estádio de qualquer forma”, conta Fabiano Costa, sentado em uma mureta ao lado de sua filha, Clarissa, de 10 anos. Com uma camisa da Chapecoense pendurada no ombro e o olhar fixo para o chão, conclui em voz baixa: “É muito, muito complicado”.

Enquanto as flores, cartazes e mensagens de apoio iam se acumulando do lado de fora do estádio, dezenas de familiares e amigos das vítimas aguardavam por mais notícias do lado de dentro. Eliandra Valler, socorrista e esposa de Adriano, chefe de segurança da Chapecoense, era uma delas. “Conversei com ele ontem, pouco antes do embarque. Terminei meu trabalho na secretaria e fui pra casa. Normalmente vou à academia, mas estava meio ansiada (sic). Acordei com uma amiga minha gritando que o avião do Chape havia caído”, diz, aos prantos, enquanto um dos psicólogos, escalados para amparar as famílias, segura uma de suas mãos. “Ele era diretor de segurança e viajava em todos os jogos. Numa das últimas vezes, em Buenos Aires, fomos juntos. Foi nossa última viagem. Estavam todos em clima de euforia, de alegria.”

Assim que os corpos chegarem ao Brasil, a ideia é que um velório coletivo seja realizado em Chapecó, segundo declarou o vice-presidente – e agora presidente – da Chapecoense, Ivan Tozzo. Depois disso, suas respectivas famílias poderão enterrá-los. “Precisamos da ajuda de todos para que a Chapecoense volte a ser forte como sempre foi”, diz o dirigente do clube. (Com as primeiras notícias da tragédia, centenas de torcedores transformaram a dor e o luto em uma marcha ao estádio do time que se confunde com a cidade. A homenagem, ainda de manhã, foi uma oração coletiva. À tarde, o silêncio tomou conta de um lugar que, nos últimos tempos, se acostumou a incontáveis alegrias e glórias.“A Chapecoense é tudo para a gente. É nossa diversão, nossa alegria. Principalmente nos últimos quatro anos. Não é fácil não, viu?”, diz Luiz, um taxista da região.

O choque era também a dor de ver a equipe “de todos os moradores de Chapecó” interromper uma ascensão sem precedentes. A equipe vinha ganhando vários títulos importantes e conseguiu subir para a série A no ano passado. O auge dessa boa fase, que faria o time ganhar a simpatia de torcedores por todo o Brasil, veio neste ano, com o nono lugar no campeonato brasileiro. A meta era a consagração em uma inédita final da Copa Sul-Americana na Colômbia, onde tudo acabaria precipitadamente com o acidente com o avião. Nesta terça, muitos diziam o mesmo: o sonho acabou.

A aeronave acidentada, de uma companhia que opera na Bolívia, reportou uma falha elétrica antes de destroçar no noroeste da Colômbia, mas as causas do acidente ainda estão sob investigação. Os corpos deverão ser identificados na colombiana Medellín, e só depois poderão ser trazidos ao Brasil, segundo confirmou um assessor da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Médicos do clube, advogados e legistas embarcaram para a cidade para acompanhar o reconhecimento das vítimas.

Em Chapecó, a CBF havia inicialmente disponibilizado um avião que, ao meio-dia desta quarta-feira, levaria os familiares das vítimas até São Paulo para aguardar a decisão a respeito do reconhecimento dos corpos. Entretanto, autoridades colombianas notificaram ainda no meio da tarde desta terça que, por questões legais, as vítimas deveriam ser identificadas em Medellín. Muitos familiares decidiram então embarcar ainda nesta terça para São Paulo e, de lá, para a Colômbia, ainda que a CBF frisasse que não era necessário.

A informação era de que as autoridades colombianas estavam trabalhando de forma célere, mas era pouco consolo para os familiares das vítimas e torcedores. “Este é o pior dia da minha vida. A única coisa que quero agora é trazer meu filho de volta”, dizia, entre lágrimas, Luiz Carlos Agnolin, pai de um dos mortos, o jornalista Renan.

Dor especial para as crianças

“É complicado. Esta cidade respira o futebol. Mas está sendo mais difícil para as crianças de 10 ou 11 anos, que estavam aprendendo a amar a Chapecoense. Minha filha queria vir para o estádio de qualquer forma”, conta Fabiano Costa, sentado em uma mureta ao lado de sua filha, Clarissa, de 10 anos. Com uma camisa da Chapecoense pendurada no ombro e o olhar fixo para o chão, conclui em voz baixa: “É muito, muito complicado”.

Enquanto as flores, cartazes e mensagens de apoio iam se acumulando do lado de fora do estádio, dezenas de familiares e amigos das vítimas aguardavam por mais notícias do lado de dentro. Eliandra Valler, socorrista e esposa de Adriano, chefe de segurança da Chapecoense, era uma delas. “Conversei com ele ontem, pouco antes do embarque. Terminei meu trabalho na secretaria e fui pra casa. Normalmente vou à academia, mas estava meio ansiada (sic). Acordei com uma amiga minha gritando que o avião do Chape havia caído”, diz, aos prantos, enquanto um dos psicólogos, escalados para amparar as famílias, segura uma de suas mãos. “Ele era diretor de segurança e viajava em todos os jogos. Numa das últimas vezes, em Buenos Aires, fomos juntos. Foi nossa última viagem. Estavam todos em clima de euforia, de alegria.”

Assim que os corpos chegarem ao Brasil, a ideia é que um velório coletivo seja realizado em Chapecó, segundo declarou o vice-presidente – e agora presidente – da Chapecoense, Ivan Tozzo. Depois disso, suas respectivas famílias poderão enterrá-los. “Precisamos da ajuda de todos para que a Chapecoense volte a ser forte como sempre foi”, diz o dirigente do clube. (El Pais)

por Felipe Betim

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