Sonangol e Fosun ainda estão a acertar agulhas no BCP

Presidente do BCP, Nuno Amado (Marcos Borga)

Existem ainda nós por desatar até à entrada dos chineses da Fosun no BCP, e parte da solução está nas mãos dos reguladores. O Banco Central Europeu (BCE) tem de autorizar a entrada da Fosun no capital do banco português e ainda de dar ‘luz verde’ à possibilidade de a angolana Sonangol poder aumentar a sua posição acima dos 20%. O processo aguarda também a autorização de Frankfurt para o reembolso das obrigações contingentes, conhecidas como CoCo’s, que ascendem a €750 milhões e cuja data limite para o pagamento é julho de 2017.

Segunda-feira, dia 21 de novembro, os acionistas do BCP voltam a reunir-se para votar a alteração à blindagem dos estatutos de 20% para 30%, uma das condições impostas pela Fosun para entrar no capital do maior banco privado português. O tema tinha estado em cima da mesa na Assembleia Geral (AG) de dia 9, mas a votação foi adiada. O presidente do BCP, Nuno Amado, esclareceu que a votação deste ponto tinha sido adiada porque “há ainda um conjunto de aspetos” que estavam “a ser trabalhados”, alguns deles ao nível da supervisão. Se as condições voltarem a não estar reunidas, é provável que a AG volte a ser adiada. Nuno Amado está, porém, confiante de que a votação vai acontecer.

Se tiver luz verde das autoridades, a Fosun vai numa primeira fase comprar 16,7% do BCP, mas mais tarde quer reforçar para 30%. Entrará através de uma oferta de capital já aprovada na AG de julho. Parte do capital que a Fosun fará entrar no BCP — à volta de €230 milhões — será para o banco reembolsar parte dos CoCo’s. O remanescente poderá ser pago por geração orgânica de capital (resultados) ou através de um aumento de capital.
Sonangol tem 
uma palavra a dizer

O processo de entrada do novo acionista — a Fosun, que poderá tornar-se o maior — é complexo e exige entendimento a vários níveis num curto espaço de tempo. Aparentemente, todas as partes envolvidas, nomeadamente a Sonangol, estão a cooperar.

A petrolífera angolana, agora presidida por Isabel dos Santos, tem uma palavra a dizer, já que hoje é a maior acionista, com 17,84%, e se a Fosun entrar verá a sua posição diluída. As relações diplomáticas entre Angola e China são fortes e parecem espelhar-se no entendimento entre a Sonangol e a Fosun no caso BCP, onde a boa vontade para encontrar consenso existe. Apesar do bom entendimento, o Expresso sabe que a Sonangol, na defesa dos seus interesses, não irá abdicar da possibilidade de ter tanto capital como o novo acionista chinês. E é neste equilíbrio de forças que as negociações estão a decorrer.

O presidente da Fidelidade, seguradora detida pela Fosun e um dos intervenientes na operação de entrada no capital do BCP, Jorge Magalhães Correia, afirma que a Fosun “mantém uma expectativa positiva em relação à operação”. Mas, tendo em conta os compromissos de confidencialidade assumidos, não faz quaisquer comentários em relação à mesma.

Um dos temas que era útil resolver para fazer avançar esta operação com mais conforto era o dos impostos diferidos, que ficou resolvido esta semana, com a aprovação em Conselho de Ministros da prorrogação para 2016 do decreto que permitia aos bancos deduzir em sede fiscal as perdas por imparidades. (Expresso)

por Anabela Campos/Isabel Vicente

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