Samakuva volta a questionar transparência do registo eleitoral

Isaias Samakuva – Lider da UNITA (Foto: Lino Guimarães)

saías Samakuva criticou, ontem, em Luanda, o facto de o processo de registo eleitoral ainda não ter atingido os 50% do desejado e já estar, supostamente, a registar défice de verbas para levar a cabo as tarefas incumbidas cabalmente.

O líder da UNITA, que falava em conferência de imprensa, fez questão de colocar um assento tónico na questão da transparência do referido processo, tendo afirmado que tem verificado, da parte das autoridades competentes, a tendência do que descreveu de “manobra política”.

“Acreditando que a mala dada à CNE esta semana não terá sido aberta, não sabemos o que a CNE irá fazer com tais dados, surgindo assim outros questionamentos”, disse.

Samakuva apresentou igualmente como argumento de falta de transparência o facto de, supostamente, se escolher a época chuvosa para o exercício de prova massiva de vida a mais de 10 milhões de angolanos, “de forma oficiosa e suspeita”, deixando, deste modo, para o fim, as áreas mais problemáticas em termos de acesso.

Quanto à entidade que devia supervisionar o processo, – a CNE -, considerou que não tem demonstrado vontade e não possui dinheiro para cumprir o seu papel. “Os seus agentes não conseguem sair das sedes municipais e aldeias. Os que estão na capital não conseguem sair para o interior”, observou, o líder do maior partido da Oposição.

O político acrescentou que tem sido recorrente escutar constantemente o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, a referir que o processo é transparente e aberto, “como todos gostariam que fosse”. Porém, Isaías Samakuva entende que a prática tem-se revelado contrária. “Constatamos que lá onde gostaríamos de ver tal transparência as coisas andam às escuras, sem saber o que realmente tem sido feito”, frisou.

Como exemplo, o líder do galo negro disse que esta semana foi entregue “uma malinha” que contém o ficheiro informático com os dados dos cidadãos já registados à CNE, mas, sublinhou, a mesma pasta nem sequer terá sido aberta na cerimónia com o presidente da Comissão Nacional Eleitoral.

“Essa suposta manobra já ocorreu em 2012, onde o FICRE, que continha toda a memória do sistema informático do registo eleitoral, terá sido entregue numa cerimónia idêntica, mas depois acabamos por saber que tudo continuava sob controlo do MAT”, frisou.

Quanto às autarquias, disse que após ter realizado uma visita aos bairros de Luanda ficou a entender que não faz qualquer sentido a data anunciada pelo Executivo para a sua realização.

Defendeu também a reforma da administração do Estado como um pressuposto pertinente, para se gerir os problemas de Luanda.

“Não se trata de competência técnica porque o governo provincial tem muitos quadros e técnicos. Mas o problema é meramente estrutural, cuja solução passa por mudanças profundas como a reforma do Estado”, realçou.

Segundo concluiu, seria eficaz “se os recursos do OGE e a sua implementação fossem entregues aos líderes eleitos das autarquias locais e fiscalizadas pelas referidas Assembleias, como estabelece a Constituição”. (OPAIS)

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