Redução da posição em Angola leva contas do BPI para o vermelho

(Foto: D.R.)

O BPI estima que se a venda de 2% do banco angolano BFA tivesse ocorrido no terceiro trimestre o grupo teria um prejuízo de 25 milhões de euros, em vez do lucro reportado de 183 milhões.

O Banco BPI admite que a redução da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA), dos atuais 50,1% para 48,1%, terá um impacto negativo nas suas contas. Se a operação se tivesse concretizado no terceiro trimestre esse impacto seria superior a 200 milhões de euros, já que o BPI teria apresentado um prejuízo de 25 milhões de euros, em vez do lucro de 183 milhões que foi efetivamente reportado ao mercado.

Numa apresentação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BPI detalha o impacto previsível da operação de venda de 2% do BFA, que implicará deixar de contabilizar a participação em Angola pelo método de consolidação global, para passar a usar o método da equivalência patrimonial. Ou seja, se até agora o BPI reconhecia nas suas contas a totalidade do resultado do BFA (por ter uma posição de controlo), quando ficar abaixo dos 50% irá apenas refletir nas suas demonstrações financeiras os resultados proporcionais à participação detida no BFA.

Além de um impacto negativo superior a 200 milhões de euros em termos de resultado líquido, o BPI estima que se a venda de 2% do BFA já tivesse ocorrido as contas dos primeiros nove meses do ano apresentariam um produto bancário 171 milhões de euros inferior ao de facto reportado ao mercado.

No entanto, o banco português controlado pelos espanhóis do Caixabank sublinha que quando passar do método de consolidação integral para o de equivalência patrimonial o BPI não irá anular o contributo que o BFA já teve ao longo do ano para as diversas rubricas da sua demonstração de resultados. Mas após a operação e com efeito futuro essas rubricas deixarão de ser contabilizadas, com exceção do resultado líquido do BFA, que será absorvido em 48,1% pelo BPI.

A venda de 2% do BFA à Unitel, de Isabel dos Santos, visa dar resposta às preocupações do Banco Central Europeu (BCE), no sentido de diminuir a exposição do BPI ao mercado angolano e, assim, melhorar os rácios de capital do banco português.

Segundo a apresentação enviada à CMVM, o BPI indica que o seu rácio de capital teria uma melhoria de 0,2 pontos percentuais se a venda de 2% tivesse sido concretizada até 30 de setembro. Na prática, acrescenta o banco, os seus rácios “só irão beneficiar do contributo do BFA no momento da distribuição de dividendos do BFA para o Banco BPI”.

Esta operação de venda carece ainda de aprovação em assembleia geral do BPI, que está marcada para 23 de novembro. Nessa reunião os acionistas minoritários do banco, insatisfeitos com as condições da oferta do Caixabank no reforço da sua posição no BPI, prometem impugnar a deliberação de venda dos 2% do BFA, conforme escreve o Expresso na sua edição do último sábado. (expresso)

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