Presidente da Guiné-Bissau realiza mais auscultações aos actores políticos

(Afp)

Presidente da Guiné- Bissau José Mário Vaz, volta a auscultar forças políticas representadas no Parlamento para nomear um novo primeiro-ministro. As auscultações vão ao encontro das recomendações feitas pela CEDEAO.

O Presidente guineense deverá iniciar nesta terça-feira (08.11.) mais uma ronda de auscultações com as forças vivas da nação, nomeadamente os partidos políticos com assento no Parlamento com vista a implementação do acordo assinado em Conacri pelos actores políticos nacionais.

O documento prevê a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do Presidente para formar um Governo inclusivo, no qual as pastas serão distribuídas de acordo com os resultados eleitorais, a par da reactivação do Parlamento e a implementação de um pacto de estabilidade.

Umaro Sissoko, um dos principais assessores do Presidente da República, João Mamadú Fadia, também próximo a José Mário Vaz, e até aqui director Nacional do Banco da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), e Augusto Olivais, antigo secretário nacional do PAIGC são os nomes que estão sobre a mesa do Chefe de Estado.

Observadores em Bissau notam que o chefe de Estado, José Mário Vaz “está entre a espada e a parede” porque o PAIGC (Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde), na qualidade de vencedor das eleições legislativas, exige que o Presidente aceite um nome proposto pelo partido para o cargo de primeiro-ministro e Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, insiste que o seu partido fez concessões para que a Guiné-Bissau abandonasse de vez a actual crise.

“Temos uma Constituição que reza que o partido vencedor deve escolher o primeiro-ministro e governar, mas fomos fazendo concessões no sentido de encontrar alguma plataforma de entendimento que pudesse facilitar esse consenso”.

Nova configuração na ANP

O Partido da Renovação Social (PRS) que suporta o atual governo de Baciro Djá, defende por seu lado, apenas a nomeação de um novo primeiro-ministro com base na nova configuração parlamentar resultante da aliança feita entre os renovadores o e grupo dos quinze deputados dissidentes do PAIGC. Florentino Mendes Pereira, acredita que a nomeação de um novo primeiro-ministro poderá desbloquear o país.

“Exactamente, a medida vai desbloquear o país. O consenso deve ser à volta da pessoa que reúna a maioria dos votos na Assembleia nacional Popular”.

O primeiro-ministro, Baciro Djá, disse por seu turno que se deve desbloquear o Parlamento para que o seu Governo possa apresentar o Programa de governação e o Orçamento geral de Estado. Djá afirma que o seu Governo é legal e goza da maioria dos deputados na Assembleia Nacional Popular (ANP).

“É preciso desbloquear o Parlamento para que o Governo possa apresentar o seu programa e governar. Qualquer Governo deve provar que tem a maioria dos deputados no Parlamento, e é essa maioria que nós temos”sublinhou Baciro Djá.

José Mário Vaz alvo de críticas

Para o primeiro vice-presidente da ANP, Inácio Correia, o principal responsável pela crise é o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz.

“Todo o mundo sabe que o principal responsável pela crise política vigente no país chama-se José Mário Vaz. É a parte do problema”.

Entretanto, para mostrar o seu descontentamento face a esse impasse político na Guiné-Bissau, centenas de pessoas saíram às ruas da capital guineense no último sábado (05.11.) para protestarem e exigirem uma solução para a crise que já dura mais de um ano. Durante a manifestação, houve ameaças de boicote às aulas das escolas privadas e de encerramento das clínicas particulares já a partir da próxima semana.

A ameaça foi feita por Lesmes Monteiro, porta-voz do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI), assegurando que “se os filhos dos pobres não estão a frequentar as aulas, os filhos dos governantes também não vão estudar e se estão doentes vamos todos ao Hospital Nacional Simão Mendes”.

PCD da Guiné-Bissau suspende presidente

Um grupo de dirigentes do Partido da Convergência Democrática (PCD), que tem dois deputados no Parlamento da Guiné-Bissau, anunciou esta segunda-feira (07.11.) a suspensão do presidente, Vicente Fernandes.

Elton Miranda, membro da Comissão Política do PCD, informou que a suspensão de Vicente Fernandes da presidência e da militância foi decidida numa reunião extraordinária realizada no domingo (06.11.) em Bafatá, no leste do país.

Fernandes, antigo ministro do Turismo no Governo do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) é acusado, entre outras coisas, de tomar decisões “sem consultar os órgãos internos do PCD”.

“O presidente violou vários dispositivos dos estatutos do nosso partido”, adiantou Elton Miranda, responsável pela informação do partido.

Vitor Mandinga coordena comissão para gerir PCD

Até à regularização da situação através de uma Convenção Nacional, em data a indicar, o antigo líder do partido, Vítor Mandinga assumirá a coordenação de uma comissão criada para gerir o PCD, precisou Elton Miranda.

Mandinga, antigo ministro das Finanças da Guiné-Bissau, é um dos dois parlamentares do partido.

Nos últimos tempos vieram a público divergências de posicionamento entre Mandinga e Fernandes.

Em reacção ao sucedido, Vicente Fernandes, advogado, notou que se mantêm na liderança do partido e acusou Vítor Mandinga de “tentativa de manipulação dos dirigentes a seu proveito”.

PCD no novo Governo?

Para Vicente Fernandes, a estratégia de Mandinga, que é também empresário, “é preparar o terreno” para caso o PCD venha a ser convidado para o novo Governo ser ele a entrar para o executivo como ministro, disse.

Vítor Mandinga quer servir-se do partido como fez no passado”, observou Fernandes.

Disse ainda que se mantém líder do PCD, invocando uma decisão tomada nesse sentido pelo conselho de jurisdição do partido, segundo a qual, qualquer iniciativa da “Comissão Política convocada por Vítor Mandinga é nula”. (DW)

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