Polícia alemã faz grande operação contra grupo salafista

(Afp)

A polícia alemã anunciou que realizou nesta terça-feira de manhã uma série de buscas e apreensões em 200 locais contra um movimento salafista suspeito de ter incitado 140 pessoas a se juntar às fileiras do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

As operações foram realizadas por várias centenas de policiais em dez estados regionais do país nas primeiras horas do dia e tiveram como alvo cerca de 190 apartamentos e escritórios.

O grupo visado pela operação, chamado “A verdadeira religião” e que conta com várias centenas de membros, foi proibido de actuar no país.

Esta é apenas a segunda vez desde 2001 que as autoridades alemãs tomam tal decisão: na época, um pequeno grupo chamado de “O Estado do califado”, agindo na região de Colónia, também acabou sendo proibido por causa de sua ideologia extremista.

O movimento visado nesta terça-feira estava na mira das autoridades alemãs em razão de sua polémica distribuição de corões em áreas de pedestres de várias cidades, uma prática associada a um recrutamento de voluntários para a “jihad”.

Acredita-se que o grupo tenha encorajado cerca de 140 alemães a se juntarem às fileiras do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, glorificando os ataques do grupo em todo o mundo, informou à imprensa em Berlim o ministro do Interior, Thomas de Maizière.

O ministro também indicou que o movimento decretava que a negação da democracia era “um dever para os muçulmanos”.

“A mensagem que estamos enviando hoje é a de que não há espaço na Alemanha para os islamitas radicais”, disse Maizière. “Nós não queremos terrorismo na Alemanha, nós não queremos que haja propaganda para o terrorismo na Alemanha ou que o terrorismo seja exportado a partir da Alemanha”, acrescentou.

O serviço de inteligência interno alemão estima em cerca de 9.200 o número de radicais islâmicos na Alemanha e em 1.200 o número de radicais mais determinados e capazes de realizar ataques.

As autoridades alemãs aumentaram nos últimos tempos a pressão em círculos salafistas.

Neste sentido, a justiça alemã indiciou há uma semana cinco pessoas suspeitas de terem montado uma rede de recrutamento em nome do grupo Estado Islâmico. Uma dessas pessoas foi apresentada pelo governo como uma das principais ligações do grupo jihadista no país.

Na Suíça, país que faz fronteira com a Alemanha, a justiça também investiga o caso.

De acordo com um porta-voz do Ministério Público da Confederação (MPC), um processo criminal foi aberto contra “pessoas” em conexão com a organização “Lies”. Esta organização distribui gratuitamente o Corão em cidades suíças.

O MPC afirma também cooperar com a justiça alemã sobre este caso e acrescentou que nenhuma acção está em curso contra a organização em si. (Afp)

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