Paz e estabilidade na RCA são analisadas em cimeira

Georges Chikoti, Ministro das Relaçoes Exteriores (Foto: Francisco Miudo)

A segurança e estabilidade da República Centro Africana é hoje avaliada numa cimeira a decorrer em Libreville, Gabão, na qual o ministro Georges Chikoti representa o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, na qualidade de Presidente da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos.

Em declarações à imprensa após a cerimónia de acreditação, pelo Presidente da República, dos embaixadores da Tailândia, Eslováquia, Canadá, Maurícias, Geórgia e
Irão, Georges Chikoti afirmou que a presença de Angola mostra o empenho em apoiar o processo de consolidação da paz e estabilidade em curso e traduz o engajamento em acompanhar a aplicação do Plano Nacional para a Paz e Reconstrução para aquele país.
O Presidente da República Centro Africana esteve em Luanda no princípio deste mês e afirmou mesmo que Angola serve de modelo para o seu país, pela forma como soube mostrar ao mundo a vontade do seu povo em virar a página de um passado sombrio e para ser o que é hoje: “um gigante admirado, cobiçado e ao mesmo tempo respeitado por toda a gente”.
Eleito em Fevereiro deste ano, em eleições que marcaram o fim de um longo processo de transição política, Touadéra admitiu que a situação na RCA “ainda é frágil”, mas que vive ultimamente alguma tranquilidade graças a uma “vasta efusão de solidariedade”, que envolveu organizações internacionais e regionais e parceiros bilaterais como Angola.
Em visita oficial a Angola, a primeira desde que assumiu o cargo, Archange Touadéra considerou a ocasião soberana para expressar “pessoalmente” a sua gratidão pelo apoio “multifacetado e diversificado” disponibilizado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, o seu Governo e os angolanos de um modo geral, para que a RCA conseguisse dar sequência à transição e seguisse em frente. A cimeira de Libreville realiza-se semana e meia após uma nova onda de violência ter deixado um saldo de 85 pessoas assassinadas, 76 feridas e quase 11 mil pessoas a deixarem a cidade de Bria. O conselheiro especial da ONU para Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, afirmou que os civis estão a ser alvo devido à sua etnia ou religião. Homens armados fazem buscas nas casas, matam, roubam e sequestram os residentes. Os soldados de paz da Missão da ONU na República Centro Africana, Minusca, foram enviados a Bria para controlar o hospital e proteger os civis. O próprio representante do secretário-geral da ONU para a RCA viajou para a área na quinta-feira e fez um apelo ao fim imediato da violência.
A violência eclodiu numa altura em que o país está empenhado na concretização do Plano Nacional de Paz e Reconstrução que tem como objectivos o fortalecimento do Estado, normalização da vida pública, garantia da estabilidade social, reconstrução económica e combate à pobreza.
A República Centro Africana conseguiu, através de uma conferência de doadores realizada há duas semanas em Bruxelas, arrecadar 2,9 mil milhões de dólares para o arranque da reconstrução e do desenvolvimento do país. O montante supera o dinheiro conseguido em conferências de 2014, que angariaram 496 milhões de dólares, e de 2015, com 280 milhões de dólares.
O ministro Georges Chikoti, que esteve presente na conferência, afirmou que Angola se solidariza com a República Centro Africana e apoia o processo de consolidação da paz e estabilidade em curso. “Podemos juntos contribuir para transformar a RCA num caso de sucesso combinado e partilhado com todos os amigos e parceiros”, disse o ministro, para acrescentar: “devemos, com as nossas acções, complementar os esforços internos do Governo da RCA, tendentes a criar as condições de segurança e estabilidade, de realização de importantes investimentos e de natureza financeira, como no capital humano e no acompanhamento de toda a aplicação do seu programa.”
O ministro afirmou que a República Centro Africana vive hoje um novo ciclo político cuja visão estratégica, espelhada no Plano Nacional de Paz e Reconstrução apresentado, foca no fortalecimento do Estado, normalização da vida pública, garantia da estabilidade social, reconstrução económica e combate à pobreza. “Os ganhos alcançados até aqui, mesmo importantes, são ainda relativos. O processo de desarmamento, desmobilização e reinserção deve ser um facto para que a união e a reconciliação nacional se tornem efectivas e sejam o pólo de convergência de todos os actores políticos, visando consolidar a plataforma democrática, na qual todos poderão livremente expressar as suas ideias e defender os seus legítimos interesses”, enfatizou.
Georges Chikoti afirmou que as condições de vida da maioria da população centro-africana são difíceis, particularmente nas zonas rurais e na periferia dos centros urbanos, considerando que são, na sua grande parte, pequenos camponeses, desempregados, jovens que não encontram trabalho, reformados e idosos sem recursos.

Diplomacia actuante

O ministro Georges Chikoti afirmou que a acreditação de 18 embaixadores pelo Presidente José Eduardo dos Santos em apenas três dias mostra o dinamismo e o reconhecimento de Angola na presidência da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos e como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
As cerimónias começaram na sexta-feira com a acreditação do novo representante da União Europeia, Tomas Ulicnk, e os embaixadores do Sudão, dos Emirados Árabes Unidos, da França e do Egipto.
Na segunda-feira, entregaram as cartas credenciais os embaixadores de Israel, do Brasil, Marrocos, Arábia Saudita, Bangladesh e Sri Lanka, os três últimos com o estatuto de não residentes. Ontem, os acreditados foram Porchai Danvivathana, da Tailândia, Monica Tomasovicova, da Eslováquia, Kumar Gupta, do Canadá, Jean Pierre Juhumun, das Maurícias, Beka Dvali, da Georgia, e Mohsen Movahedi Ghomi, do Irão. Todos são não residentes. (Jornal de Angola)

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