Para estudantes, declarações de Temer sobre ensino merecem nota zero

(Valter Campanato/Agência Brasil)

Estudantes secundaristas e de outros níveis de ensino reagiram às declarações do presidente Michel Temer que, na terça-feira, 8, afirmou que os estudantes que estão ocupando escolas em todo o país contra a reforma do ensino médio e a limitação do gasto público fazem críticas sem sequer saber o que é uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional).

Durante seminário sobre “Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil”, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, Temer afirmou que os críticos “debatem sem discutir ou ler o texto”. E ironizou:

“Você sabe o que é uma PEC? É uma Proposta de Emenda Comercial”, disse simulando a resposta de um estudante secundarista.

Para o presidente, a reforma do ensino médio vem sendo debatida há muito tempo e não visa a prejudicar os alunos do ensino público. Segundo Temer, “o que a medida provisória do governo federal faz é agilizar o debate relativo ao ensino médio no país”.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, tem uma opinião radicalmente contrária.

“Foi uma declaração muito infeliz do presidente que revela duas coisas principais. A primeira é uma subestimação do movimento estudantil. Os estudantes que ocupam mais de mil escolas e mais de 200 universidades em todo o país sabem bem pelo que lutam. Estão lutando pelo seu futuro e pelo futuro da educação e estão fazendo isso para serem ouvidos. O presidente, ao invés de dizer que a gente não sabe o que é uma PEC, deveria nos chamar para ouvir nossa opinião sobre a reforma do ensino médio, sobre a reforma do gasto público no país.”

A dirigente da UNE acusa a proposta do governo de retirar a formação política e o senso crítico das escolas, tornando matérias como sociologia e filosofia facultativas na grade curricular de ensino. Essas mudanças, na visão de Carina, não vão superar a desafasagem do ensino que o próprio presidente reconhece.

Quanto às críticas feitas por Temer quanto à ocupação de escolas, Carina diz que o movimento traz um recado claro:

“Quem subestimou as ocupações até agora saiu perdendo. Derotamos Beto Richa (governador do Paraná), Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) e vamos derrotar Michel Temer”, diz, observando que todo mundo é a favor de escola em tempo integral.

“Problema é que aumento de carga horária não significa escola integral. Escola integral é quando você oferece disciplinas, aulas, oficinas para além do currículo, extra conhecimento formal que possa melhorar a qualidade de ensino. Hoje mais aulas do jeito que está vai somente aumentar a evasão escolar.” (Sputnik)

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