PAIGC não integra novo Governo da Guiné-Bissau

Sissoco Embaló (esq.) foi nomeado a 18 de Novembro pelo Presidente José Mário Vaz (DW)

Para o partido dirigido por Domingos Simões Pereira, o Executivo em preparação, que recusa integrar, resulta de uma decisão unilateral do Presidente guineense. PAIGC também retirou a confiança política a José Mário Vaz.

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) não vai participar no novo Governo do país, anunciou este domingo (27.11) o partido vencedor das eleições legislativas na Guiné-Bissau, mas entretanto arredado do poder.

A decisão foi tomada com 112 votos a favor e 11 contra numa reunião do comité central do PAIGC, iniciada no sábado (26.11). Na resolução, a força política “reafirma a intenção inabalável da não participação do PAIGC e dos seus militantes no Governo de iniciativa presidencial”.

Para o partido dirigido pelo ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, o Executivo em preparação resulta de uma decisão unilateral do Presidente, que propôs Umaro Sissoco Embaló, general na reserva de 44 anos, para o liderar, contra a vontade do partido.

Em outubro, a classe política guineense chegou a um entendimento na capital da vizinha Guiné-Conacri para ser constituído um executivo de consenso, com todos os partidos representados no Parlamento e cujo líder seria uma figura de confiança do chefe do Estado.

O PAIGC diz que dos três nomes propostos por José Mário Vaz – Sissoco Embaló, Augusto Olivais e Aladje Fadiá – foi escolhido o de Augusto Olivais, militante do partido. Mas como o comunicado final do encontro de Conacri não especifica o nome, tem havido diferentes interpretações.

O partido pede ao líder do Parlamento do país, Cipriano Cassamá, na qualidade de signatário do acordo de Conacri, para que entre em contacto com o Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, na qualidade de mediador da crise guineense, para que se esclareça o que ficou decidido.

Confiança política perdida

O PAIGC também retirou a confiança política ao Presidente José Mário Vaz. A decisão foi tomada na reunião extraordinária do comité central de sábado (26.11), numa votação que foi apoiada por 112 dos 123 presentes na sala.

A decisão visa “retirar a confiança política ao cidadão e militante José Mário Vaz por ser o principal promotor de toda a grave crise política que tem assolado o país há cerca de dois anos”, anunciou o porta-voz do partido, João Bernardo Vieira.

Esta força política apoiou a candidatura de José Mário Vaz à presidência da Guiné-Bissau, mas o desentendimento tem reinado nesta legislatura. O Presidente já demitiu dois Governos do PAIGC.

O partido liderado por Domingos Simões Pereira acusa ainda o chefe de Estado de ter atitudes que demonstram que está determinado em prejudicar o partido. (DW)

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