Oposição nicaraguense vai às ruas contra eleições de domingo

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, em Manágua, no dia 6 de novembro de 2016 (Afp)

A oposição nicaraguense, excluída das eleições do último domingo, anunciou nesta terça-feira a realização de uma marcha em 1º de Dezembro para repudiar o resultado do pleito, no qual o presidente Daniel Ortega foi eleito para um terceiro mandato sucessivo.

“Estamos planeando uma marcha nacional em resposta às pessoas que estão telefonando e mandando mensagens para continuarmos mobilizados”, disse em colectiva de imprensa a líder da Frente Ampla pela Democracia (FAD), Violeta Granera.

A FAD informou no domingo que não reconhece o resultado da eleição, vencida por Ortega com 72,5% dos votos, e em que houve abstenção de 70% a 80%, embora o Conselho Supremo Eleitoral (CSE) a situe em 31,8%.

A frente opositora quer pressionar para convocar novas “eleições livres e transparentes”, afirmou Granera.

A organização da marcha “vai ser uma guerrilha cívica”, mas os detalhes não foram informados para evitar que as autoridades impeçam a mobilização até Manágua, disse a dirigente.

“Tomara que o regime não se atreva a impedir a mobilização porque vamos vir a Manágua, chova ou faça sol”, advertiu Granera.

A dirigente da FAD era candidata a vice-presidente em uma coligação que foi excluída do processo após uma decisão judicial que desarticulou a aliança, uma manobra atribuída ao governo.

A marcha de 1º de Dezembro coincidirá com a visita a Manágua do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, a convite do governo.

“Queremos que Almagro veja nas ruas o que se expressou nas urnas no domingo: o povo não foi votar”, disse Granera.

O também dirigente da FAD, Eliseo Núñez, afirmou que o nível de abstenção “foi uma surpresa” para eles mesmos porque houve um amplo repúdio, inclusive de sectores sandinistas.

Núñez, um ex-candidato opositor, ironizou que as cifras do CSE sobre a participação eleitoral e o apoio a Ortega “são tão falsas quanto falar de virgindade em um bordel”. (Afp)

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