Oposição angolana demarca-se de manifestação contra Isabel dos Santos

Luanda (Foto: D.R.)

Duas principais forças políticas da oposição angolana, UNITA e CASA-CE, demarcaram-se de participar na manifestação prevista para sábado, em Luanda, contra a nomeação de Isabel dos Santos, para a Sonangol.

A manifestação pretende protestar contra a falta de decisão do Tribunal Supremo sobre a providência cautelar interposta por vários advogados angolanos, pedindo a suspensão da nomeação de Isabel dos Santos, pelo seu pai e Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por alegada violação da Lei da Probidade Pública.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Alcides Sakala, disse que manifestação é um direito dos cidadãos consagrado na Constituição, por isso aquela força política encoraja e apoio os seus organizadores.

“Nós analisamos esta questão e a nossa posição é de encorajamento, porque é um direito que cabe aos angolanos, consagrado constitucionalmente. A UNITA não só apoia como também encoraja a sua organização, mas não vamos participar”, disse Alcides Sakala.

Ponderar a participação

O vice-presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Manuel Fernandes, disse que foi refletida a questão por aquela força política, sublinhando que é legítimo os seus promotores poderem realizá-la”.

“Só temos um senão da nossa participação, na medida em que não fomos tidos no momento da conceção e também por outro lado o processo em causa foi despoletado por um grupo de advogados, que entende que está a haver oportunismo de uma das partes promotora dessa manifestação, porquanto são eles que tomaram a iniciativa e entendem que não tinha que ser um outro órgão a promover a manifestação”, explicou Manuel Fernandes.

“Havendo essa dicotomia, do ponto de vista de consenso, entendemos ponderar a participação como instituição, como organização, mas é claro que os dirigentes e militantes que acharem que devem participar por si vão fazê-lo, só para ver que um dos vice-presidente é um dos promotores da marcha, mas nós não entendemos fazer parte como instituição CASA-CE”, disse.

Manuel Fernandes avançou que, por outro lado, como força política, ao participar numa manifestação teria de fazer parte da organização da mesma.

“Vai ser bom acompanhar-mos e demos força aos organizadores, é legítimo, defendemos que ela se realize, mas a nossa participação como instituição não vai ser efetivada”, frisou.

Violação da Lei da Probidade Pública

Isabel dos Santos foi nomeada em junho, no âmbito da reestruturação da maior empresa de Angola e em causa está o facto de a empresária ter sido nomeada presidente do conselho da administração da Sonangol, pelo pai e chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, levando os contestatários da nomeação a alegar uma violação da Lei da Probidade Pública.

Os promotores da manifestação admitem ainda que a empresária angolana pode estar impedida de exercer aquelas funções, pelas posições que detém noutras empresas.

Em comunicado emitido no sábado, os promotores da manifestação, entre os quais o antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco e o ‘rapper’ e ativista Luaty Beirão, informaram que pediram a Isabel dos Santos uma lista com as empresas de que é sócia e “que, direta ou indiretamente, partilham negócios com o grupo Sonangol e suas associadas”.

O responsável pela comunicação institucional do Governo angolano disse, a 16 de novembro, que esta manifestação é uma “pressão” sobre a justiça.

Manuel Rabelais, diretor do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação e Marketing da Administração (GRECIMA), afirmou, numa declaração lida na sede daquele órgão, que se deveria “aguardar serenamente pelo pronunciamento do Tribunal Supremo” sobre o caso. (DW)

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