O que acontece quando ingerimos demasiado açúcar?

Há um problema de fartura e, mais tarde ou mais cedo, os vasos sanguíneos encarregam-se de espalhar todas as alterações. As complicações atraem complicações. (CCC)

Não é necessariamente apenas o açúcar que colocamos no café ou o bolo a que não resistimos que podem provocar alterações. Há muito mais, é mesmo um problema de fartura. São vários os alimentos que depois de ingeridos acabam por ser transformados em glicose, a principal fonte de energia das células. Só que, andamos a ingerir glicose a mais para as nossas necessidades e é esta prática acumulada que altera todo o funcionamento que levou milhares de anos a aperfeiçoar.

A principal fonte de energia das nossas células existe em excesso e é esta elevada quantidade de açúcar que vai começar a causar lesões. A diabetes instala-se e espalha-se. Silenciosamente e sem pressa. Todos os tecidos e órgãos irrigados por vasos sanguíneos são afetados.

As paredes dos pequenos vasos sanguíneos vão ficando mais espessas, diminuindo o espaço interno necessário para que o sangue circule. Os vasos de maior calibre não escapam e também são afetados por alterações, porque o excesso de açúcar no sangue vai provocar alterações na estrutura do colesterol, o LDL (o mau), que passa a entrar facilmente nas paredes dos vasos sanguíneos e a acumular-se, promovendo a formação de placas.

O coração sofre, tal como os rins ou os olhos. Nem os micro-vasos que existem na retina escapam. Enfraquecidos, basta um aumento da pressão sanguínea para que rebentem e sangrem. A lesão dará lugar a uma cicatriz e de pontinho em pontinho, a capacidade de visão vai diminuindo. Junte-se a dificuldade de cicatrização e a morte de pequenas terminações nervosas, como acontece frequentemente nos pés dos diabéticos, causando perda de sensibilidade, deixando de sentir a dor ou o calor. A insuficiente irrigação sanguínea não permite o transporte da matéria-prima necessária para cicatrizar os tecidos lesionados.

A diabetes é um caso típico de atração de complicações. A obesidade e o sedentarismo têm quase sempre uma relação direta com a síndrome que se instala. Esta não é uma doença transmissível, mas é considerada um problema de saúde pública nos países desenvolvidos, onde vivem 80% dos diabéticos.

Não existe uma cura para a diabetes, mas este é um dos casos únicos em que compete ao doente decidir o destino que quer dar à sua doença. A qualidade de vida estará sempre dependente de um único fator: o controlo da glicémia. (CCC)

por Centro Cirúrgico de Coimbra

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