Meios de comunicação atacados em Tete

Jornais e rádios vandalizados. (Reuters)

Três publicações locais, um jornal e duas rádios, no distrito de Moatize, em Tete, centro de Moçambique, foram vandalizadas e roubados todos os equipamentos, paralisando as actividades.

Na segunda rádio, o golpe contra o material fracassou, mas a estação encerrou as portas, entre outras, por motivos de segurança.

Na madrugada de segunda-feira, 31, um grupo de cinco homens introduziu-se no recinto da missão paroquial São João Baptista, onde fica instalada a rádio Dom Bosco, em Moatize, sem sucesso na invasão à redacção e ao emissor.

“Cinco homens começaram a rondar o corredor lateral da Igreja Católica, que dá acesso a área onde se localizam os estúdios da rádio Dom Bosco durante a madrugada, mas colocaram-se em fuga quando se aperceberam que alguém estava a observar-lhes”, contou Micheque Dinga, jornalista da estação.

Pelos moldes da acção, disse Micheque Dinga, suspeita-se que o grupo que tentou roubar a rádio seja o mesmo que vandalizou os outros dois órgãos no distrito e considera ser “um grupo organizado que está a fazer esse trabalho com os medias”, para “continuar com a jornada de limpeza de material de informação, com o suposto plano de silenciar as vozes do povo”.

No sábado 29, o jornal Malacha, uma publicação semanal, ficou sem o seu material informático, dois gravadores digitais, câmera fotográfica e o arquivo digital do jornal que remonta a 2011, na sequência de uma vandalização e roubo das instalações, localizadas igualmente no distrito de Moatize.

“Neste momento o jornal está a envidar esforços para, por vias alternativas, publicar a edição número 254, ainda dentro desta semana, apesar de estarmos sem meios”, explicou Aparício José, editor do jornal Malacha, salientando que foi aberto o processo 786 pela Polícia contra desconhecidos, sem uma perícia às instalações para investigar o incidente.

A edição semanal que devia sair à rua ontem falhou, devido ao roubo, estando a equipa editorial a reunir os conteúdos, que deverão voltar a ser escritos , estando prevista uma publicação para esta quarta-feira, 2, com um “design” antigo.

“Eu penso que é uma caça aos órgãos de comunicação social, por ser notável três assaltos as publicações em menos de uma semana”, declarou Aparício José, acrescentando serem estranhas as acções criminosas contra as publicações, destacadas pela isenção e pluralidade.

Neste assalto, referiu, foram roubadas igualmente provas documentais de vários casos denunciados pela rádio, sobretudo dos casos de corrupção no sector de educação na mudança de carreiras dos docentes.

Na madrugada da quarta-feira, 26, um grupo de desconhecidos roubou material informático, microfones, receptor profissional, consolas, câmera digital e uma motorizada afecta a redacção da rádio comunitária de Cateme, no distrito de Moatize, interrompendo a transmissão das emissões.

“Quando o locutor que ia abrir a emissão da quinta-feira chegou encontrou o portão de vedação aberto e o da entrada fechado, com o guarda lá dentro amarrado e a chorar”, descreveu Daniel Bernardo, jornalista da rádio comunitária de Cateme.

As três publicações privadas são conhecidas pela sua imparcialidade na cobertura e abordagem de casos de corrupção e a actual tensão politico e militar, com destaque por terem despoletado o caso dos refugiados do Malaui, no inicio do ano, quando as autoridades locais negavam as informações da imprensa estrangeira sobre refugiados naquele pais.

A Polícia disse que está a investigar os casos. (Voa)

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