Luanda “acarinha” Eduardo Paim

Eduardo Paim (Foto: António Escrivão)

Luanda, Lisboa, Angola, Portugal. Duas Nações interligadas pela história, dois povos com traços culturais distintos, um idioma comum e mais de 500 anos de convívio directo.

É nesse ambiente de interacção sócio-cultural, que Eduardo Paim marcou uma época, construiu uma carreira de sucesso, fez história, ganhou seguidores e revolucionou a música angolana.

Nascido a 14 de Abril de 1964, em Brazaville, Congo, tornou-se, em 40 anos de canto, artista de créditos firmados em Angola e na diáspora.

É um dos mais influentes músicos da Angola independente, onde se tornou, entre meados dos anos 80 e finais dos anos 90, um dos principais “mentores” de dezenas de artistas de sucesso.

Pelas mãos do artista, que celebra a 25 deste mês um espectáculo alusivo aos 40 anos de carreira, promovido pela Nova Energia, passaram dezenas de artistas de sucesso, entre os quais Jacinto Tchipa e Diabik.

Eduardo Paim Ferreira da Silva assume-se, desde 1979, como um artistas criativo e inovador. Em meados dos anos 80, com o grupo SOS e os Afra Sound Stars, mudou deu nova dinâmica à música angolana.

Foi em 1987, ao serviço dos SOS, que começou a sentir o sucesso, explodindo as pistas de dança com o tema “Carnaval”. Era o começo de uma carreira “dourada”, que se afirmaria na Europa, no início dos anos 90.

Desde aí, o autor ganhou prestígio, convenceu a crítica, abriu espaço na imprensa e conquistou prémios, que fizeram de si um ídolo na lusofonia.

“General Kambuengo” fez-se conhecer no espaço lusófono como um artista de múltiplos sonhos. Atravessou o oceano, buscou a sorte na diáspora, viu a carreira por um fio, mas resistiu às peripécias.

O autor de “Foi Aqui”, “São Saudades”, “Ilha de Luanda”, “Pra Nguenda”, “Morena de Angola”, “Najibo”, “Rosa Baila”, “Nzambi Za”, “Kizomba” tem uma história de sucesso, que faz crescer a expectativa à volta da “festa” dos 40 anos.

Quando, em 1988, aceitou o convite para produzir em Lisboa, Portugal, o CD “Kapuete Kamundanda”, do “discípulo” Paulo Flores, já era referência no país.

Com os seus dedos mágicos, a empatia com o piano, a viola baixo e a guitarra ritmo, deu corpo a um ritmo que “extraiu” do zouk antilhano a sua essência e, rapidamente, “estourou” na lusofonia.

Com um género musical inovador e dançante (kizomba), ajudou a cobrir um vazio na música angolana, depois da conquista da independência.

Ao lado de Paulo Flores, Ruca Van-dunem (seus companheiros de eleição) e dos Tropical Band agitou, por largos anos, as noites frias de Lisboa.

Paim superou as peripécias da vida de imigrante, rompeu as barreiras da cultura portuguesa, experimentou o fado e o slow, aguentou a saudade da terra mãe e se tornou premiado.

Em 1991, ganhou notoriedade em Portugal, com um álbum inovador “Luanda Minha Banda”, do qual se destacam temas que “furaram” a África e se espalham por Portugal: “A Minha Vizinha”, “Kizomba”, “Najibo”, “Ku Tonoca”, “É Tão Bom”, “Mãe”, “Kizomba” e “Boazuda é”.

Porém, foi com o CD “Do Kayaya” que se afirmou como um dos mais notáveis artistas da lusofonia, agitou as rádios e as casas nocturnas em Portugal.

Já com a crítica a seu mercê, chegou à cifra de mais de 50 mil cópias vendidas, com esse disco maduro e versátil, que dissipou dúvidas sobre a sua qualidade vocal e melódica.

“Do Kayaya”, “Pra Nguenda”, “Esse Madie”, “Nzambi Za”, “Foi Aqui”, “Ai se eu te Agarro” e “São Saudades” levaram-lhe a vários palcos da África portuguesa, da lusofonia e do mundo.

Luanda aguarda show

É com esses recursos e com toda essa trajectória, que Eduardo Paim se propõe, de novo, a desafiar a crítica e mostrar, com um mega show, que a idade avançou, mas não lhe ofuscou o talento.

Para essa actuação, cujos ingressos estão já à venda, em vários pontos de Luanda, estará com um elenco de peso, todos amigos de longa data.

De Angola, terá como convidados Jacinto Tchipa e Ricardo Abreu, um dos parceiros que, ao lado de Paulo Flores e Ruca Van-dunem, ajudou a popularizar o projecto “Sem Kigila”.

A estes juntar-se-á, da diáspora, outro grande nome dos anos 90 e parceiro no “Sem Kijila”, Fernando Quental, com quem já partilhou, há dois meses, o palco no projecto “Show do Mês”.

Para essa exibição, o músico prepara um repertório diversificado e um elenco de velhos amigos, com que partilhou momentos altos, em Angola e em Portugal: Jacinto Tchipa, Fernando Quental e Ricardo Abreu, todos estes parceiros nos projectos “Sem Kijila”.

O artista e a promotora Nova Energia capricham em cada detalhe do show, no arranjo do palco, da qualidade acústica, no alinhamento do guião e nos convidados para essa festa de 40 anos. Prevêem aproximadamente três horas de palco e um guião artístico com 23 músicas de sucesso.

Espera-se que o show venha a ser um reencontro em grande estilo com os fãs de Eduardo Paim, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

Diante de uma plateia de aproximadamente 3.500 fãs, General Kambuengo poderá, mais uma vez, voltar no tempo, rebuscar alguns dos melhores temas e relembrar as histórias dos anos 80/90.

A organização do show esconde a sete chaves os temas que farão parte do alinhamento do show, mas “Curtir Lisboa”, “São Saudades”, “Rosa Baila”, “Kutonoka”, “Minha Vizinha”, “Foi Aqui”, “Luanda Minha Banda”, “Pra Nguenda”, “Nzambi Za”, “Carnaval”, “Rosa Baila” e “Do Kayaya” devem ser opção.

A Nova Energia guarda igualmente o nome dos artistas que subirão ao palco para cantar, na condição de convidados, ao lado de um profissional que quer voltar à ribalta, com um novo álbum inspirado nas Antilhas.

Paim marcou uma geração de músicos que introduziu a música electrónica em Angola, misturando zouk, semba e outras nuances.

Seu nome está gravado nos anais da história da música angolana e lusófona, desde os anos 90, como um dos criadores do kizomba.

Todavia, sonha voltar a estar na linha da frente, com uma obra de grande alcance, gravada em França, ao lado de artistas do primeiro escalão do género zouk, entre os quais Jean Philippe Martelly, da histórica banda antilhana Kassav.

Com este astro do zouk, gravou um dos temas promocionais do novo trabalho, que se vai juntar a outros álbuns, como “Luanda Minha Banda” (1991), “Novembro” (1991), “Do Kayaya” (1992), “Kambuengo” (1993), “Kanela” (1994), “Ainda a Tempo” (1995), “Mujimbos” (1998), “Maruvo na Taça” (2006) e “Etu Mu Dietu” (2012).

O show aproxima-se a passos largos. A pouco mais de uma semana, há um intenso corre-corre para tudo chegar à perfeição, a 25 deste mês.

A promotora aposta forte na publicidade do show, que se tornou tema de conversa, nas redes sociais, entre os habituais frequentadores do projecto Show do Mês.

Os ensaios e o entrosamento entre o artista e a banda estão em ritmo acelerado. Falta o sinal de luz verde para Eduardo Paim baixar as cortinas, cantar e provar, em palco, o porquê do estatuto de “rei do kizomba”. (Angop)

por Elias Tumba e Venceslau Mateus

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