Liturgia da Crise: Onde mora a água?

(Foto: D.R.)

Resposta: Nos bidons dos kupapatas! Caracterização: Negócio fechado que alimenta muitas bocas. Efeitos nocivos provocados: nem todo o receituário deste negócio expedito vai para os cofres do Estado. Razões: os fornecedores não depositam nos cofres da EPAL, o consumo da água vendida. Resultado: drenagem para o mercado paralelo de recursos estatais, que alimentam interesses alheios.

Quanto mais se anunciam iniciativas da EPAL, mais a água potável se esvazia nos ramais domésticos. É o que se nota nas últimas semanas nalguns bairros da cidade de Luanda. O Bairro Mártires de Kifangondo há dois passos da Central de Distribuição da Maianga, é disso exemplo. Não se compreende o que acontece!

A par disso notamos a acção dos fiscais, a cobrar porta a porta, o que não fornecem ao longo do mês. Paradoxo? Vê-se que há algo que vai mal na gestão e distribuição do precioso líquido.

A EPAL, que faz um esforço titânico para cumprir as metas definidas pelo Executivo, ainda não conseguiu apresentar resultados satisfatórios, que levem o consumidor a bater palmas pela resolução das suas necessidades. Aliás, satisfação é o que menos se ouve falar, a não ser nos dias de inaugurações mediáticas. É como tudo! Quando há fome ou um incidente que se justifique, utilizamos a “maravilhosa” TPA, para dizer que estamos a combater a fome e a pobreza, com umas ofertas cirúrgicas da Ajapraz e outros benfeitores e, no dia seguinte, não há respostas para outras dores de parto.

Posto o caso desta maneira resta ao Estado implantar o sistema pré-pago para a água, medido em metros cúbicos de consumo, a ver se o problema se resolve.

Do ponto de vista estratégico a EPAL deve beneficiar de uma política mais dinâmica,  aproveitando as potencialidades locais, recrutando agentes económicos, capazes de executar a sua carteira de obras, com base nos planos estruturantes. Está provado que só a ajuda chinesa não resolve o problema. Contemos também com as nossas próprias forças, para levarmos a comida aos nossos lares, recrutando os nossos jovens, que nas estradas do desespero, se entregam ao negócio ambulante. Pensar não custa. O dinheiro, fazemo-lo com boas idéias, de efeito prático imediato. Mungueno!

Por: Carlos Costa

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