Lagostas podem auxiliar na descoberta precoce de cancro em humanos

(Getty Images)

Existe um animal que pode bater os olhos em uma pessoa e dizer se ela tem cancro. Não, não é brincadeira. Estamos a falar da lagosta pugilista, um estomatópode, extremamente agressivo, que destrói as suas presas com tanta força que é capaz de vaporizar moléculas de água com seus golpes bruscos, 30 vezes mais rápidos que um piscar de olhos.

Mas voltemos ao ponto inicial, os olhos desse bicho são formados por omatídeos, placas de visão como as das moscas. Cada uma dessas placas recebe a luz de um ponto diferente e o animal “enxerga” uma mistura dessas combinações. Isso faz com que eles vejam tudo em baixa resolução, porém detectam movimentos rápidos e a polaridade da luz, o que faz com que elas possam enxergar o cancro.

Os olhos da lagosta têm sensores extras que podem analisar cada ângulo de cada onda de luz separadamente, podendo assim distinguir esses tipos diferentes de luz.

No mar, por exemplo, superfícies como escamas, que reflectem luz polarizada, destacando-se fortemente da água no fundo do oceano e saber essa diferença é essencial para que a lagosta pugilista sobreviva.

Além de identificar a polarização da luz, o bicho também emite pulsos de luz polarizada e é aí que entra a detecção do cancro. Células tumorais malignas reflectem a luz polarizada de um jeito “esquisito” e fácil de distinguir de outros tecidos saudáveis. Essa pequena diferença, imperceptível para humanos, pode ser fácil de perceber para uma lagosta pugilista que emitisse um pulso de luz no tecido suspeito.

Os pesquisadores notaram que muito antes do tumor provocar sintomas e células aparecer, as células cancerígenas já reagem de forma estranha ao serem expostas à luz polarizada. E por isso, actualmente, diversos grupos de cientistas ao redor do mundo estão a tentar imitar os olhos compostos de artrópodes para detector o cancro antes de qualquer sinal.

E por mais estranho que isso possa parecer a ideia é que as cirurgias de remoção de tumores se tornem cada vez mais precisas, evitando assim, a remoção de tecido saudável desnecessariamente.

O protótipo já está em fase de testes clínicos na Universidade Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, com a câmara a ser utilizada para a detecção de cancro de mama por meio de exames de imagem. (Yahoo)

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