Iva Cabral: “Como africana tenho respeito e admiração por Fidel Castro”

(DR)

Historiadora e filha de Amílcar Cabral reconhece direito à oposição cubana de se manifestar, mas exalta apoio de Castro à luta pela independência dos povos africanos.

A morte de Fidel Castro na passada sexta-feira, 25, continua a suscitar reacções em todo o mundo.

Nos países africanos de língua portuguesa, o “Comandante” é lembrado principalmente pela ajuda que deu aos movimentos de libertação nacional, em particular ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e ao MPLA, mas também depois de 1975 quando os novos Estados conquistaram a sua independência.

Professores, médicos, militares e técnicos nas mais diversas áreas de Cuba ajudaram aqueles países no momento em que careciam principalmente de recursos humanos.

“Não se pode falar do século 20 sem falar de Fidel Castro, quer se goste ou não dele, é uma figura incontornável na história mundial e, em particular, do dito Terceiro Mundo”, considera a historiadora Iva Cabral, filha de Amílcar Cabral e que vive na cidade da Praia, em Cabo Verde.

Em declarações à VOA, Cabral, que pertence a uma geração “muito influenciada pelas ideias e acções do Comandante Castro”, diz que “como africana, guineense e cabo-verdiana” não pode deixar de lembrar que “ele apoiou as lutas de libertação nacional sem restrições nenhumas, ele foi fundamental para que Angola fosse independente e, consequentemente, para que o apartheid tivesse o fim que teve”.

Neste particular, aquela investigadora questiona qual seria “a história se o apartheid conseguisse controlar Angola” e reitera a sua “admiração e respeito profundos por Fidel Castro”.

Questionada sobre leituras diferentes acerca de Castro, com falta de liberdade no país e, ao mesmo tempo, um defensor da liberdade e da emancipação dos povos, Iva Cabral admite que a “oposição interna tem o direito de pensar assim”, mas reitera a sua admiração pelo líder da Revolução Cubana, “independentemente da opinião que se tem da sua política interna”.

É que, para Cabral, “frente aos políticos que mandam no mundo hoje, a perda de homens como Fidel Castro, que são tão raros, deixam um vazio total e são para admirar e ter respeito”. (Voa)

por Alvaro Ludgero Andrade

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