Governo apresentou Domingues em Bruxelas e Frankfurt como “candidato”

(Miguel Baltazar)

O secretário de Estado das Finanças admitiu ao Público e à TSF que António Domingues esteve em duas reuniões antes de assumir a CGD, mas nega que houvesse informação confidencial discutida nessa altura.

O secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, garantiu, em declarações ao Público e à TSF esta manhã, que não houve “informação confidencial” prestada nas duas reuniões em que António Domingues, presidente da CGD, esteve em Bruxelas e Frankfurt, antes de assumir o cargo no banco público e numa altura em que ainda era administrador do BPI. O objectivo era avaliar as condições do gestor para o cargo, que dependiam de decisões de organismos externos.

A primeira reunião aconteceu a 24 de Março, poucos dias depois do convite ter sido feito a Domingues, com Daniel Nouy, presidente do mecanismo único de supervisão europeu, um órgão ligado ao BCE. A segunda, a 7 de Abril, foi com a Direcção-Geral de Concorrência (DGCOMP), mas não contou com a presença da comissária europeia para a Concorrência e sim com o alemão que dirige este departamento.

“Nestas reuniões António Domingues só podia ir como convidado do Governo, porque estas autoridades não reúnem com presidentes de bancos, menos ainda com candidatos. Eu apresentei-o como vice-presidente do BPI, disse que o tínhamos convidado para ser presidente da Caixa – e que ele estava disponível. E que queríamos saber se havia disponibilidade para abdicar do plano que estava em curso na CGD, aprovando um novo plano de negócios sem ajuda de Estado; para aceitar uma estrutura de governação em que o Estado não se metia; e garantindo que a Caixa teria um sistema de incentivos normal”, referiu Mourinho Félix ao Público.

O governante adiantou ainda que “não havia qualquer informação confidencial”, salientando que o accionista não poderia ter acesso a ela, tendo em conta o sigilo bancário. “Foi apenas uma discussão conceptual. E quando se trabalhou no plano de negócio, fez-se com informação pública, aplicando à Caixa os rácios do BPI”, salientou o governante.

A polémica em torno de Domingues, desde que assumiu a presidência da CDG tem sido muita, primeiro por causa da apresentação da declaração de rendimentos e agora por ter estado presente em reuniões em que foi discutida a recapitalização do banco público. (Negocios)

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