General Paka: “Todos os partidos tiveram heróis”

General Paka e General Eugénio Manuvakola (Voa)

“…nós queremos transformar este país numa nação de empreendedores, de pessoas que contribuam para a felicidade de todos,” General Eugénio Manuvakola.

Dois generais angolanos vindos de campos opostos da guerra civil sublinharam hoje a necessidade de se avançar para o futuro num espírito de verdadeira unidade patriótica.

“A história de Angola não é só a história do MPLA,” disse o General Paka, que vindo da luta de libertação pelo MPLA, argumenta que “há a historia feita pelo Jonas Savimbi e outros que deram a sua contribuição positiva para a independência de Angola”.

O general Paka disse que todos em Angola devem reconhecer que há heróis da luta de libertação da UNITA, da FNLA, entre outros, e “há que reconhecer que dentro do MPLA há falsos heróis”.

O general Paka que por várias citou Jonas Savimbi defendeu também a necessidade de se fazer uso de indivíduos de todos os partidos que possam trazer valores para Angola.

“Só com generais do MPLA não se vai a lado nenhum”, disse o General Paka, que depois de referir as dificuldades por que Angola passou e as que vive sublinhou que “valeu a pena lutarmos pela independência”.

“Deu-nos a dignidade e a liberdade como um povo, e hoje estamos a dirigir os destinos do nosso país”, acrescentou.

O General Eugénio Manuvakola disse que a independência de Angola era inevitável, mas que ela não tinha trazido a “felicidade” aos angolanos.

“Isto dependeu muito das lideranças de 1975, dos partidos libertadores”, disse

“Os partidos libertadores não conseguiram ultrapassar as opções de partido único, que traziam da guerra de libertação,” disse Manuvakola para quem essa incapacidade resultou numa guerra que “destruiu as esperanças da juventude de então”.

O General Manuvakola disse que apesar do reconhecimento no inicio dos anos de 1990 de que Angola precisava da democracia, o país é ainda ensombrado pelos resíduos do princípio de partido único.

O governo, disse, deve procurar “abrir as portas da democracia em todas as áreas de intervenção do governo de Angola”.

“Não pode haver apelos à unidade se não houver uma melhor distribuição da riqueza de Angola”, acrescentou.

Para Manuvakola a história de Angola deve dividir-se em duas fases. Na luta pela independência “os heróis devem ser todos tidos por igual (…) ninguém tem o direito de denegrir a luta pela independência de seja que Angolano for”.

Contudo “na guerra pós colonial” é “complicado” escolher-se heróis.

“Os que estavam do lado do governo defendiam os ideiais do MPLA anti-democráticos, enquanto os que estavam do lado da UNITA faziam a resistência para que Angola não fosse de um partido único”, afirmou.

“Não vejo que os angolanos queiram consagrar heróis numa guerra civil”, disse o general Manuvakola

“Por favor não nos imponham heróis de uma guerra civil, porque isso irá abrir feridas”, acrescentou.

O General Paka, por seu turno, disse que “neste momento de democracia” há que “reconciliar os angolanos em direção à criação da nação”.

O General Manuvakola disse que Angola atravessa uma altura em que é preciso “unir o país”.

“A guerra de libertação já vai muito longe e nós queremos transformar este país numa nação de empreendedores, de pessoas que contribuam para a felicidade de todos”, acrescentou. (Voa)

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