FMI pede a Angola medidas adicionais para mitigar quebra do preço do petróleo

FMI (DR)

Para o Fundo Monetário Internacional, Angola precisa adoptar medidas adicionais para mitigar os efeitos da quebra dos preços do petróleo na economia e nas contas públicas. E alerta que o défice orçamental de 5,8% do PIB previsto para 2017 deixaria a economia vulnerável.

Angola precisa adoptar medidas adicionais para mitigar os efeitos negativos da quebra dos preços do petróleo na economia angolana e nas contas públicas, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o FMI, o défice orçamental previsto para 2017, de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB), “iria deixar a economia vulnerável a preços de petróleo inferiores ao projectado e aumentar a preocupação quanto à sustentabilidade da dívida públic, diz no seu relatório de conclusão da missão ao país em 2016, divulgado esta quarta-feira.

“No nosso ponto de vista, o governo deveria almejar um défice orçamental não superior a 2.25% do PIB para 2017, consistente com uma melhoria moderada no saldo fiscal primário não petrolífero e com um continuado ajustamento gradual a médio prazo para colocar a dívida pública numa clara trajectória descendente”, refere o relatório.

O FMI ressalva que “as autoridades tomaram medidas para mitigar o impacto do declínio dos preços do petróleo, incluindo uma melhoria significativa no saldo fiscal primário não petrolífero e a desvalorização do kwanza relativamente ao dólar norte-americano”.

“Não obstante, são necessárias medidas adicionais de política para prosseguir o ajustamento à nova realidade dos mercados internacionais do petróleo. O atraso na implementação destas medidas irá aumentar os custos de ajustamento no futuro e preterir os seus benefícios”, sublinha.

“As acções do governo para controlar a despesa pública compensaram parcialmente o impacto dos menores preços do petróleo sobre as contas orçamentais, esperando-se que o défice fiscal global atinja cerca de 4% PIB em 2016″ mas “a dívida pública deverá vir a exceder 70% do PIB no final de 2016, reflectindo a desvalorização da taxa de câmbio além do défice fiscal projectado”.

O FMI aponta que Angola precisa ainda reforçar o sistema bancário, implementar reformas estruturais e permitir que o setor privado tenha um maior peso na economia angolana, por via de investimentos em infraestruturas e criação de parcerias público-privadas.

Em 2017, estima-se que o crescimento do PIB angolana suba para 1.25 “comparativamente à ausência de crescimento no ano corrente, reflectindo uma recuperação no sector não petrolífero devida ao aumento programado da despesa pública e a melhores termos de troca”.

Quanto à projecção da inflação anual, “aponta para uma subida para 45%, no final do ano, antes de declinar para 20% no próximo ano, com condições monetárias restritivas e um kwanza estável a suportarem a desinflação”.

“A médio prazo, as perspectivas são de uma recuperação gradual da actividade económica, embora existam riscos, entre os quais um declínio adicional nos preços do petróleo e atrasos na implementação das reformas estruturais necessárias à promoção da diversificação económica”, diz o FMI. (Expresso)

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