Fidel Castro morreu duma hemorragia cerebral

Morreu o revolucionário marxista cubano Fidel Castro, aqui na foto, em Paris, a 15 de março de 1995. (REUTERS/Charles Platiau/Files)

Morreu o Líder Máximo cubano, Fidel Castro, ontem à noite, duma hemorragia cerebral, após um longo período de doença, tendo deixado, aliás, o poder, em 2006, para o irmão, Raúl Castro, actual presidente de Cuba.

Fidel Castro, pai da revolução comunista cubana, morreu, aos 90 anos de idade, esta sexta-feira, à noite, 25 de Novembro, duma hemorragia cerebral.

El Comandante ou Líder Máximo, Fidel Castro, governou durante 49 anos, Cuba, de 1959 a 2006, quando já muito doente, entregou o poder ao seu irmão, Raúl Castro, que anunciou a sua morte ontem à noite, na televisão, terminando a sua declaração com o slogan preferido de Fidel, “Hasta la vitória siempre!”

O presidente cubano, Raúl Castro, decretou 4 dias de luto e revelou que o cadáver de Fidel Castro, seria incinerado “nas primeiras horas, deste sábado, 26 de Novembro, afastando a ideia de exposição do corpo do Líder Máximo, ao público.

Horas depois, era anunciado o dia do funeral de Fidel Castro, para 4 de Dezembro, em Santiago de Cuba, a segunda cidade de Cuba.

A primeira homenagem ao ditador cubano, Fidel, foi marcada para segunda-feira, 28 de Novembro, na Praça da República da capital, Havana, palco dos célebres comícios de mais de 6 horas do revolucionário comunista, Fidel Castro, donde lançava os seus slogans contra o imperialismo americano e ocidental, e de punho erguido gritava, “Viva a revolução socialista” ou o seu outro slogan célebre, “Condena-me, não importa, a História me absolverá.”

Fidel Castro, era, pois, um símbolo da luta contra o imperialismo americano, líder do partido comunista cubano, e defensor do comunismo da ex-União soviética, grande protectora de Cuba.

Comunista, marxista-leninista, Fidel Castro, sobreviveu a várias tentativas de assassínio, onde via sempre a mão da CIA e dos “gringos” americanos, escudando-se sempre no desembarque de exilados cubanos apoiados pela CIA, na Baía dos Porcos, no sul do país, em Abril de 1961.

Falhada a tentativa de depor Fidel Castro, pouco depois, o presidente americano, John Kennedy, decretaria o célebre embargo comercial e financeiro a Cuba.

Meses depois, era a crise dos mísseis de outubro de 1962, com a União soviética instalando mísseis nucleares soviéticos, em Cuba, apontados, para os Estados Unidos, rosto do imperialismo ocidental mundial.

O mundo esteve à beira duma guerra nuclear, com Washington, decretando o bloqueio naval de Cuba, enquanto Moscovo, retirava os seus mísseis, contra a promessa americana de não invadir Cuba.

Cuba de Fidel Castro, formou militar, política e ideologicamente, dirigentes dessa África lusófona, que fariam uma guerra de libertação, em Angola, Guiné Bissau e Moçambique, excepção de S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde, onde não houve guerras de libertação, mas outro tipo de acções como revoltas e subversões.

Com as independências dos 5 países da África lusófona, em 1975, Angola e Moçambique, passariam por uma longa e dura guerra civil, entre movimentos rivais, como os casos do MPLA e a UNITA, em Angola, para onde Fidel Castro enviaria milhares de tropas cubanas, para ajudar o partido de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, contra revolucionários maoistas de Jonas Savimbi, que eram apoiados pelo então regime do apartheid da África do sul.

Em matéria de reações internacionais, o Presidente francês, François Hollande, que visitou Cuba, em maio de 2015, declarou que Fidel Castro “encarnou a revolução cubana, suas esperanças e desilusões”.

Por seu lado, tanto o presidente russo, Vladimir Putin, como o presidente chinês, Xi Jinping, na linha da histórica família comunista internacional, renderam homenagem, ao Líder Máximo, Fidel Castro.

Dos Estados Unidos, o presidente em exercício, Barack Obama, que visitou Cuba, em março de 2016, abrindo uma nova era nas relações entre Washington e Havana, reagiu dizendo que “a História, julgará o impacto enorme, de Fidel Castro”, sublinhando: “Nós trabalhámos duramente para virar a página da discórdia”.

Uma abertura, que foi posta em causa, pelo recém eleito presidente americano, Donald Trump, que escolheu Twiiter, para reagir à morte do dirigente cubano, numa frase lapidar: “Fidel Castro morreu”.

Trump, acrescentou mais tarde, que Fidel Castro, tinha sido “um ditador brutal que oprimiu o seu próprio povo”, prometendo “tudo fazer para contribuir para a liberdade do povo cubano”.

Recorda-se que durante a recente campanha eleitoral nos Estados Unidos, Trump, declarou que só continuaria a política de abertura de Obama, em relação a Cuba, se houvesse sinais claros de respeito das liberdades, naquele país, o que ainda não é o caso, com o presidente cubano, Raúl Castro. (RFI)

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