“Fidel Castro era um homem de bem”, diz Joaquim Chissano

O ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano (Foto: Lusa/D.R)

Antigo Presidente moçambicano revela que líder cubano ajudou-a a aproximar-se à Igreja que viria a desempenhar papel importante no país.

Joaquim Chissano descreve Fidel Castro como um homem de “bem” que fez “grandes coisas” por Moçambique, Angola e por muitos países africanos.

O antigo Presidente moçambicano diz que se as relações entre o Estado e a Igreja melhoraram em Moçambique e o país alterou a Constituição da República em 1990 foi também muito por influência de conversas e conselhos que teve e recebeu do carismático líder cubano.

Como chefe da diplomacia e como Presidente da República, Joaquim Chissano já esteve várias vezes em Cuba e, numa dessas ocasiões esteve doente e internado num hospital durante um mês tendo recebido, por diversas ocasiões, a visita de Castro, com quem conversou sobre vários assuntos e de quem ouviu muitos conselhos.

Um desses assuntos, revelou Chissano à VOA, teve a ver com a relação entre o Estado e a Igreja.

Um relacionamento que, segundo Chissano, mudou radicalmente em Moçambique depois de ter estado em Havana, nos finais dos anos de 1980.

Depois de 16 anos de guerra civil, Moçambique alcançou a paz em 1992 e os mediadores das conversações que ajudaram a pôr termo ao conflito armado foram religiosos, com os quais Joaquim Chissano tem muito boas relações.

Aliás, o antigo Presidente moçambicano e a esposa, que são católicos apostólicos romanos, quase nunca faltam à missa.

Mas não é apenas por causa dos conselhos que recebeu de Fidel Castro. que o admira, mas por tudo o que ele fez por Moçambique, após a independência, em 1975.

Chissano lembra a decisão tomada pelo “El Comandante” de abrir portas para a formação de estudantes moçambicanos e o envio, a Moçambique, de médicos e professores cubanos.

Outro tema do qual não se deve esquecer, acrescentou Chissano, é do sacrifício do povo cubano para ir combater em território angolano contra a ocupação de Angola pelas forças do regime do apartheid.

O ex-estadista moçambicano é de opinião que Fidel Castro fez muito pelo seu e por outros países do mundo, sendo que deve ser recordado também pelo papel importante que teve na reaproximação diplomática entre Washington e Havana, durante a administração Obama. R

Registos de Joaquim Chissano, antigo Presidente de Moçambique, em reacção à morte de Fidel Castro, que, para uns foi “um ditador brutal’’, e, para outros, um grande líder e um grande homem. (Voa)

por Francisco Júnior

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