CPA “corre” há 22 anos de Cabinda ao Cunene

Atletismo é a maior referência em 22 anos de existência do CPA (Foto: Marcelino Camões)

Nasceu em um dia como hoje, 10 de Novembro, mas de 1994. A prática extensiva em todo território nacional, bem como o prestígio granjeado dentro e fora do país atestam o balanço positivo do Comité Paralímpico Angolano (CPA) ao longo dos 22 anos de existência.

Em declarações quarta-feira à Angop, em Luanda, a propósito da efeméride que hoje (quinta-feira) se comemora, Leonel da Rocha Pinto deu-se por satisfeito pelas metas desportivas alcançadas, sobretudo, ao nível da reinserção social dos cidadãos pela via do desporto – outra faceta do objecto social da instituição.

O responsável recorreu as estatísticas para justificar o “bom” do exercício desporto versus reinserção social, reiterando a abrangência nacional com nove associações, nove núcleos, mais de 1.700 atletas das modalidades de atletismo, basquetebol, futebol e natação, além de seis presenças consecutivas em jogos paralímpicos.

No capítulo da reinserção social, apontou o enquadramento de antigos praticantes nos mais variados sectores da vida começando do próprio CPA, onde, em função das qualificações individuais são colocados em diversas áreas com destaque para a técnica.

Citou como exemplo os casos de António Diogo (antigo velocista agora técnico com participações internacionais no atletismo), André Augusto (antigo fundista – trabalha com escalões de formação), o velocista José Sayovo (conselheiro da modalidade), a ex-velocista Henda Jerónimo e o basquetebolista Edivaldo Santos (que obtiveram trabalho por via da prática desportiva) e o antigo futebolista Cândido Gunza Cândido (secretário-geral da Associação de Malanje).

“Pelos números alcançados estamos no bom caminho. Temos desporto adaptado por toda Angola. Temos resultados desportivos em competições africanas, mundiais e jogos paralímpicos, nesta com seis presenças consecutivas e subidas ao pódio em três delas”, frisou, acrescentando, entretanto, que falta muito por fazer.

Leonel Pinto referiu-se a inexistência de um centro de treinamento desportivo como factor impeditivo para um maior desenvolvimento, e lembra estar a instituição a espera da cedência de uma parcela de terreno por parte do governo provincial de Luanda há mais de uma década para a sua construção.

Referiu tratar-se de um propósito pelo qual conta agora com a promessa de ajuda do ministro da Reinserção Social, Gonçalves Muandumba, mostrando-se esperançado de que, desta vez, poder-se-á encontrar uma solução positiva para uma questão que considera de interesse de todos os angolanos.

Outra preocupação demonstrada, por altura dos 22 anos do CPA, prende-se com a ratificação e implementação prática, especialmente por parte dos estados africanos, da Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências, aprovada em Dezembro de 2006.

Até Abril deste ano 161 países aderiram à convenção, entre os quais Angola, motivo de regozijo por parte do também presidente do Comité Paralímpico Africano (APC – sigla em inglês).

De acordo com a fonte, esta convenção da ONU defende a eliminação de todas as formas de discriminação, em particular, as baseadas na opinião política, género, etnia, religião e raça, bem como qualquer outra forma de intolerância

Disse estipular ainda a adopção de medidas legislativas e administrativas para assegurar os direitos das mulheres, minorias étnicas, migrantes, pessoas com deficiência, refugiados, e deslocados, e outros grupos socialmente marginalizados e vulneráveis.

Em mais de duas décadas de desporto e de reinserção na sociedade, o atletismo é a modalidade de maior referência, sendo hegemónica em África e com seis participações consecutivas em Jogos Paralímpicos: Atlanta’1996, Sidney’2000, Pequim’2004, Atenas’2008, Londres’2012 e Rio2016, seguindo-se o futebol com muleta vice-campeã do mundo México’2014.

O velocista José Sayovo é o maior expoente do desporto adaptado em Angola com mais de 40 medalhas conquistadas em competições africanas, campeonatos do mundo e jogos paralímpicos.

Seu maior feito deu-se na edição de Atenas em 2004 ao arrebatar três medalhas de ouro e respectivos recordes nos 100, 200 e 400 metros.

Irene Bandeira (duas medalhas de ouro) Ngola Aguiar (uma de ouro e outra de bronze) notabilizaram-se a nível da modalidade de natação.

Angola albergou em 2013 o Campeonato Africano de Basquetebol em Cadeira de Rodas, tendo como palco o pavilhão principal da Cidadela desportiva, um período ímpar marcado também pela primeira transmissão televisiva em directo no país no que ao desporto para deficientes diz respeito.

Em termos de liderança além fronteira, Leonel da Rocha Pinto ocupa o cargo de presidente do Comité Paralímpico Africano e António da Luz é vice-presidente da mesma organização continental para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). (Angop)

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