Corrupção abrange todos os países do mundo – Pier Balladelli

Pier Paolo Balladelli. Representante da ONU em Angola (Foto: ANTONIO ESCRIVAO)

O representante em Angola do Sistema das Nações Unidas, Pier Paolo Balladelli., afirmou hoje, quarta-feira, em Luanda que a corrupção não exclui nenhum pais no mundo, ainda que existem países onde este crime é mais grave, especialmente quando não é percebido como sendo um mal pelas suas sociedades.

O alto funcionário das Nações Unidas discursava na sessão de abertura da XI Conferência Anual e Assembleia Geral de membros da Associação dos Procuradores de África, que decorre até sábado próximo sob o lema “Procuradores de África Unidos no Combate à corrupção e ao crime transnacional”.

Frisou que é importante considerar o papel que a sociedade civil desempenha na denuncia da corrupção, pois os países ficam mais vulneráveis quando não há engajamento ou compreensão do fenómeno na suas sociedades.

“Uma das lições aprendidas é que, onde há uma sociedade civil forte e uma informação pública independente, os mecanismos anticorrupção tendem a ser implementados e vigiados pela mesma sociedade”, referiu.

Disse que apesar da corrupção ser um fenómeno muito difuso, mas ainda não admitido, um dado importante é que ela é particularmente presente quando o poder legislativo ou poder judiciário, ou ambos, são fracos.

“ Nessa condição é que não são reconhecidas as normas de um estado de direito, falta de independência e de profissionalismo, e a mesma sociedade civil participa da corrupção”, sublinhou.

Pier Paolo Balladelli.considerou que há dois pilares da luta contra a corrupção designadamente a prevenção e a repressão, uma vez que estima-se um total de 3,6 trilhões de dólares de perdas pela corrupção dos quais um trilhão é em subornos e 2,6 trilhões são roubados com a corrupção.

“ Poderíamos ser induzidos a crer que a corrupção só tem um impacto em dinheiro roubado. Não é assim. A corrupção também é responsável pela fraca governação e um obstáculo à democracia, e ao respeito pelos direitos humanos e torna vulnerável a institucionalidade. É o combustível para o crime organizado e promove ao tráfico de armas, transporte ilegal de refugiados, o comércio de falsificações e o comércio ilegal de espécies animais “, explicou.

No evento que se prolongará até sábado vão ser debatidos temas como “ combate à corrupção prevenção e educação “, “ o combate à corrupção, investigação e acusação “, “ o combate à corrupção; cooperação internacional “, “ a investigação e acusação nos crimes transnacionais organizados, lições apreendidas”, entre outros temas. (Angop)

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