Cada vez mais caro falar ao telemóvel em Angola

(DW)

O aumento das tarifas móveis em tempos de crise está a ser fortemente contestado pelos cidadãos. Associação angolana de defesa dos consumidores já pediu ao Presidente José Eduardo dos Santos para anular a medida.

O aumento de cerca de 40% nos preçários das recargas de telecomunicações e de televisão por satélite por assinatura entrou em vigor na terça-feira (01.11). Ou seja, cada Unidade Tarifária de Telecomunicações (UTT) passou a custar 10 kwanzas (cinco cêntimos), por decisão do Governo. A medida foi aprovada a 22 de setembro em reunião conjunta das comissões Económica e para a Economia Real do Conselho de Ministros.

A subida nos serviços de telecomunicações vem empobrecer ainda mais a população, sobretudo “tendo em conta a crise” e a “falta de produtos”, que por causa da subida do dólar já nem estão a chegar ao país, afirma o barbeiro Eduardo José. “Está complicado”, desabafa.

O moto-taxista Fernando Chivela fala de “insensibilidade” por parte do Governo, que perante o aumento dos produtos alimentares e outros serviços continua a não aumentar o salário mínimo nacional, fixado em 15 mil kwanzas (cerca de 81 euros).

“O próprio Governo é que diz que o país está em crise. Então, se as pessoas não têm nada, como é que o saldo sobe ainda mais?”, questiona.

A solução, segundo outro cidadão ouvido pela DW África, passa por manifestações generalizadas contra o Governo de José Eduardo dos Santos. “O povo angolano podia sair à rua repudiar isso”, defende. “Os salários não sobem, mas o preço das coisas está a subir.”

Carta ao Presidente

“Um aumento excessivo” é como a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADC) classifica a medida. “Se tivermos em conta a importância que o serviço de telecomunicações tem nas despesas das famílias, era importante que se reforçasse a protecção dos consumidores no concerne à transparência dos preços”, diz o diretor-adjunto do Gabinete Jurídico, Mediação e Conflitos da AADC, Jordan Coelho.

Um cartão de recarga de telemóvel, utilizado por todas as operadoras angolanas, passou a ser vendido a 1.250 kwanzas (6,70 euros), contra os anteriores 900 kwanzas (4,80 euros).

Jordan Coelho reconhece que o preço das recargas poderia até subir, tendo em conta a grave crise económica e financeira que o país atravessa, mas “no máximo até 1000 kwanzas (cerca de 5 euros)”.

Por essa razão, a instituição de defesa do consumidor dirigiu uma petição ao Presidente Eduardo dos Santos, com vista a anular a nova tabela tarifária dos serviços de telecomunicações e televisão por assinatura.

“E apesar de os preços terem subido, não há nenhuma garantia de que, de facto, a qualidade daquilo que nos oferecem vai melhorar significativamente”, lembra o diretor-adjunto do Gabinete Jurídico da AADC. (DW)

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