Boas notícias sobre inflação, mas…

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)

Pelo terceiro mês consecutivo chegaram boas notícias sobre o aumento do custo de vida. Pelo terceiro mês consecutivo, a inflação mensal, que mede o aumento dos preços, entre dois meses consecutivos, baixou.

O “cocktail” de medidas do Governo, lado da oferta e da procura, parece estar a dar resultados. A política monetária restritiva do Banco Nacional de Angola (BNA) retira Kz ao mercado, aliviando a procura e, consequentemente, a pressão sobre os preços. Em dois anos, o banco central quase duplicou a sua taxa básica e mais do que duplicou a taxa de reservas obrigatórias, percentagem dos depósitos que os bancos são obrigados a colocar em contas do BNA.

Do outro lado, a oferta aumentou com a entrada em cena do Entreposto Aduaneiro, importando produtos da cesta básica e colocando-os no mercado a preços mais baixos, bem como através da disponibilização de divisas aos importadores pelo BNA. Menos procura e mais oferta alivia a pressão sobre os preços como parece estar a acontecer. Mas o grande teste ainda está para chegar com a aproximação do Natal e ano novo e o inerente consumismo.

Sem dúvida boas notícias para as famílias. A inflação funciona como uma espécie de imposto escondido. Como, regra geral, os preços aumentam mais do que os salários, os trabalhadores perdem poder de compra com a inflação. Por isso, quanto mais baixa for a inflação menos poder de compra perdem as famílias. E quando os níveis de inflação são baixos pode mesmo pensar-se em aumentos salariais acima da inflação.

Apesar das notícias serem boas, estamos somente a falar de diminuição do ritmo de crescimento dos preços e não de baixa de preços. Os preços de alguns produtos podem até baixar, como estará a acontecer, mas em média continuamos a ter aumento de preços, qualquer que seja o indicador de inflação utilizado. O custo de vida está a aumentar a um ritmo inferior mas continua a aumentar.

Não se pode confundir baixa de inflação, isto é, menor ritmo de crescimento dos preços, com baixa de preços. Com os preços a aumentarem e os salários estacionados há já um par de anos, não estamos, infelizmente, em presença de um “apreciável” aumento do poder de compra dos salários, referido pelo Presidente da República no discurso sobre os Estado da Nação. (expansao)

DEIXE UMA RESPOSTA