BE diz que acordo à esquerda “valeu a pena” para discutir recuperação em vez de cortes

(Hugo Santos)

A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou nesta sexta-feira que o acordo de governação à esquerda “valeu a pena”, porque antes “discutia-se o orçamento da direita e a intensidade dos cortes e agora discute-se como fazer a recuperação”.

“Quando olhamos para onde estávamos há um ano e sabemos que era o Governo do PSD/CDS-PP que se apresentou e que foi chumbado com o seu programa de aumento de impostos e de corte de pensões, lembramo-nos que quando discutíamos orçamentos da direita, discutíamos a intensidade dos cortes dos rendimentos do trabalho e agora estamos a discutir de que forma é que se faz a recuperação”, disse Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, que falava no Porto numa sessão pública sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2017, começou por afirmar que o acordo feito com o PS “assentou em recuperar rendimentos do trabalho, parar privatizações e proteger o Estado social”, garantindo que o seu partido “foi claro” nessas posições “desde o primeiro dia”.

Mas de seguida, Catarina Martins admitiu que “a pressão europeia e a chantagem da dívida pública vão limitando caminhos”, logo “vão estreitando opções”, mas fez um balanço positivo a um ano de acordo à esquerda

“Quando olhamos para o percurso deste ano, quando olhamos para um OE que tem o maior aumento de pensões da década, quando sabemos que 700 mil famílias têm acesso à tarifa social da energia ou que o aumento do salário mínimo é uma realidade abrange bem mais de meio milhão de trabalhadores, sabemos que valeu a pena”, frisou.

Catarina Martins reiterou que este OE “não é o OE do Bloco de Esquerda”, mas sim “o OE do Partido Socialista com acordos à Esquerda” para afirmar que este é o “primeiro em muitos anos que está dentro da Constituição”.

“Este Orçamento está dentro da Constituição. É o primeiro Orçamento dos últimos anos que está inteiramente dentro da Constituição. Não tem nenhum corte contra a Constituição em nenhum rendimento, nem salários nem pensões. Isto é importante porque é de um páis que se leva a sério”, referiu.

Para Catarina Martins “o maior problema deste OE é o peso da divida pública e os constrangimentos europeus”.

A bloquista defendeu que “sem reestruturação da dívida e uma nova postura europeia não é possível ao país ter a capacidade para o investimento necessário seja na qualificação dos serviços públicos, seja em investimento estratégico que possa criar emprego de uma forma mais consistente”.

E pediu: “Nunca deixem que alguém diga que o país vive acima das possibilidades”, explicando que “no OE de 2017, depois de tudo pago, depois de paga toda a despesa das áreas do Estado, o Estado social o saneamento, os bombeiros, vão sobrar cinco mil milhões de euros”.

“Já este ano vão sobrar 3500 milhões de euros. Muito mais do que alguma vez sobrou nos Governos da direita”, disse, num discurso em que também reiterou o elogio a ministro das Finanças, Mário Centeno por dizer a “verdade incómoda” sobre os juros da dívida. (Publico)

por Lusa

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