70 crianças desmaiam em escola do Sambizanga

(Foto: Carlos Augusto)

Mais de 70 alunos da escola do Primeiro Ciclo 1141, no Bairro dos Ossos, no distrito Urbano do Sambizanga, em Luanda, desmaiaram ontem por suposta inalação de um produto tóxico lançado por um dos estudantes da 8ª classe identificado apenas por Baptista, filho de um pastor da igreja Pentecostal.

A onda de desfalecimentos que gerou pânico dentro da instituição e nas ruas adjacentes, começou por volta das 8 horas desta Terçafeira, 1, na sala número 16, quando o mesmo estudante gritou em viva voz, diante dos colegas, que haveria desmaios, contou a OPAÍS Abel Manuel, um dos alunos que apresentava- se em estado de choque. Segundo os alunos e professores que testemunharam os desfalecimentos, os desmaios foram antecedidos de um ritual religioso por parte de Baptista, que convidou os seus colegas a rezar consigo e minutos depois algumas meninas começaram a queixar-se de tonturas e irritação na garganta.

“Depois só vimos as colegas a caírem uma de cada vez e o cenário espalhou-se rapidamente por outras salas”, disse outro estudante, acrescentando que tudo aconteceu quando os alunos se preparavam para fazer as provas das disciplinas de Física e Geografia O director pedagógico da referida escola, Domingos Neto, disse que a situação fugiu do controlo da direcção por causa da quantidade de alunos desmaiados, o que motivou que solicitassem a ajuda da Polícia Nacional. Até às 12 horas, altura em que OPAÍS abandou o local, novos alunos davam entrada ao banco de urgência do Hospital Municipal do Sambizanga, mas Domingos Neto disse ter recebido informações do seu superior hierárquico de que o número de alunos ultrapassava os 70.

Bombeiros e Polícia em acção A demanda de alunos e familiares que invadiram o pátio do hospital motivou o reforço dos efectivos da Polícia Nacional que tentava manter a segurança do local face a onda de protestos de pais e encarregados de educação ávidos por obter informações dos seus educados. No pátio da instituição circulavam mais de 10 ambulâncias dos bombeiros, Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) e uma equipa dos serviços provinciais de saúde que abandou a Comarca Central de Luanda (CCL), onde se encontrava a vacinar os reclusos, para reforçar o pessoal médico. Apesar de todo o reforço, viaturas particulares dos familiares tiveram de envolver-se no transporte de alunos devido à demora das ambulâncias, como contou Sousa Magalhães, pai da primeira aluna desmaiada.

Administradora questiona as razões dos desmaios em época de provas.

A administradora distrital do Kilamba- Kiaxi, Milca Caquesse, que envidava esforços no sentido de acalmar os encarregados presentes no hospital, questionou o facto dos desmaios acontecerem preferencialmente em época de realização de provas. “Esta situação denota maldade no seio da juventude que arranja mecanismos de cariz criminoso para se abster das aulas.

No futuro os jovens poderão arrepender-se por causa das armações que se fazem para não terem aulas”, disse. Milca Caquesse garantiu a este jornal que as autoridades policiais detiveram para investigação um jovem que supostamente participou na acção para a devida investigação. Entretanto, a responsável não disse o número exacto de alunos desmaiados alegando apenas que passavam de 50.

Comissão não encontra solução

Em Agosto de 2011, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, criou uma comissão multi-sectorial para avaliar o fenómeno dos desmaios e encontrar os mecanismos para se normalizar a situação. O grupo foi também incumbido de responder às ocorrências e dar instruções aos responsáveis das escolas. Integraram o grupo multisectorial, os responsáveis dos ministérios da Educação, Saúde, Ambiente, Reinserção Social e Comunicação Social.

Ainda em Agosto, técnicos da investigação prenderam três pessoas em Cabinda que revelaram aos investigadores que a substância que provocava os desmaios tinha como solvente a ‘creolina’ e que a acção era desencadeada por um grupo sedeado em Luanda. Vários estudos já foram efectuados de forma a solucionar a situação que tem prejudicado a camada estudantil, mas até ao momento as pessoas ligadas à investigação não encontraram as reais causas da intoxicação. (OPAIS)

por Milton Manaça

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