10 abusos de menores por dia em Angola

(Foto: DW/arquivo)

Só este ano, o Instituto Nacional da Criança de Angola (INAC) recebeu mais de mil denúncias de violações de crianças. Psicólogo apela a acompanhamento sério das vítimas e dos violadores.

Todos os dias, 10 menores são abusados em Angola, segundo o Instituto Nacional da Criança de Angola (INAC). Muitos casos acabam silenciados, e as vítimas não têm acesso a acompanhamento especializado. O psicólogo João Ndoze lamenta que seja assim.

“É necessário envolver profissionais especialistas”, afirma. Mesmo que os casos sejam levados à Justiça, é preciso ir além dos tribunais: “Muitas vezes, a família pensa que, se fizer um acompanhamento judicial, o problema fica ultrapassado, mas não. É necessário envolver o psicólogo a fim de tratar os problemas diagnosticados no momento e fazer um prognóstico, para garantir um desenvolvimento saudável da criança do ponto de vista mental.”

Também os violadores devem ter acompanhamento específico, comenta Ndoze. “São comportamentos doentios, são comportamentos clinicamente perturbadores que exigem um acompanhamento psicológico muito sério. O abusador sexual é um doente mental.”

O INAC recebeu desde janeiro mais de mil denúncias de abusos sexuais. Os governos provinciais têm realizado marchas de repúdio envolvendo pessoas de vários extratos sociais, incluindo as próprias crianças.

Compromissos para a Criança

O Governo central angolano assumiu, em 2007, 11 Compromissos de proteção à Criança, que incluíam o aumento da esperança de vida e a prevenção e mitigação da violência contra a criança. Mas na prática pouco se vê.

Em Angola, 157 em cada mil crianças morrem antes dos cinco anos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O país tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo.

Para Aboubakar Sultan, representante da UNICEF em Angola, é preciso incentivar práticas que estimulem o desenvolvimento dos menores: “Há cada vez mais evidências de que estas relações, sobretudo as afetuosas, aquelas que sejam estáveis e seguras, acompanhadas da devida nutrição, amor e carinho, estimularão a criança, sobretudo nos primeiros anos de vida, e serão fundamentais para todos os aspetos do seu desenvolvimento.” (DW)

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