Tumulto deixa pelo menos 52 mortos em festival na Etiópia

Vários feridos em tumulto no festival oromo, em Bishoftu, em 2 de outubro de 2016 (Afp)

Pelo menos 52 pessoas morreram, neste domingo (2), em um tumulto registado no tradicional Festival Oromo Irreecha, na localidade de Bishoftu, ao sul de Addis Abeba – anunciou o governo regional Oromo.

Em um comunicado, o governo explicou que a violência explodiu no festival, devido à ação de “forças irresponsáveis”.

Ainda segundo a nota, “52 pessoas morreram nessa debandada”.

A oposição mencionou, por sua vez, pelo menos 100 vítimas.

Milhares de pessoas se reuniram às margens do lago Harsadi, sagrado para os Oromo, para assistir à cerimónia da Irreecha, que marca o fim da temporada de chuvas.

A confusão começou quando as lideranças Oromo afiliadas ao governo foram atacadas pela multidão. A plateia tentou invadir a tribuna, quando os dirigentes iam tomar palavra.

Os manifestantes lançaram pedras e garrafas contra as forças de segurança, que responderam com bombas de efeito moral.

Os disparos de gás lacrimogéneo provocaram pânico e correria. Pelo menos 50 pessoas caíram umas por cima das outras em um fosso com vários metros de profundidade, observou um fotógrafo da AFP.

O fotógrafo contou entre 15 e 20 corpos pelo menos e disse ter ouvido disparos.

O governo regional Oromo indicou que todas as pessoas morreram no tumulto, e “não por causa das medidas tomadas pela Polícia, como alguns veículos da imprensa indicaram por erro”.

O governo federal etíope lamentou “perdas de vidas humanas”, sem divulgar um número exacto, em nota publicada pela imprensa oficial etíope.

A Etiópia vive hoje um movimento de protestos contra o governo sem precedentes na última década. Esses actos começaram na região Oromo (centro e oeste) em Novembro de 2015 e se estenderam durante o verão para a região Amhara (norte).

Essas duas etnias representam cerca de 60% da população etíope e protestam contra o que consideram um domínio hegemónico de outra etnia, os Tigray, originários do norte do país. (Afp)

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