Recargas de telemóvel mais caras a partir deste sábado, em Angola

(DW)

Governo angolano justifica o aumento com a crise económica que assola o país. Usuários estão insatisfeitos e dizem que o serviço não oferece qualidade.

A partir deste sábado, 1 de outubro, o serviço de telecomunicação ficará mais caro em Angola. Os cartões de recarga para telemóveis que até esta sexta-feira (30.09) custam 900 kwanzas, cerca de 4,80 euros, a partir de amanhã custarão 1.250 kwanzas, mais dois euros do que o preço anterior. A medida encarece as chamadas telefónicas e o acesso à internet móvel no país.

A medida foi aprovada em conselho de ministros. O ministro das Telecomunicações, José da Rocha, justifica o aumento com a realidade económica do país.

“Na tomada de uma determinada medida, nós temos de olhar para todas as variáveis e temos que encontrar um equilíbrio entre a necessidade de prestação de serviço e de manter esse serviço, olhando para a nossa realidade económica actual”, explicou o ministro angolano.

População insatisfeita com o aumento

Mas esta é uma medida que não agrada a muitos dos angolanos que a DW África encontrou nas ruas da capital angolana. O taxista Castro Fausto está preocupado com o aumento. Ele diz que o preço das recargas, antes do aumento da tarifa, já era caro para os usuários da telefonia móvel.

“Só com o saldo de 900 Kwanzas, há momento que ficamos dois meses sem carregar os telefones. Acredito que com este preço de 1.250 vamos ficar um ano sem saldo”, ironiza.

Com uma opinião similar a de Fausto, Eleite Fortunato diz que um cartão de recarga de 900 kwanzas já não dá para muito, e que agora vai dar ainda para menos.

“Consumimos este saldo no máximo em três dias. Gostaria que o Governo pensasse também na população, porque foi num conselho de ministros onde a proposta foi aprovada, mas deviam olhar também para nós que somos os consumidores”, sugeriu Fortunato.

Serviço custa caro e é de má qualidade

Os utilizadores não querem pagar mais caro por um serviço de má qualidade. Eles queixam-se que, nas duas operadoras móveis do país, a Unitel e a Movicel, a velocidade da internet é muito baixa. E, às vezes, é impossível falar por causa da má qualidade do sinal da rede.

Elisabeth David interroga-se porque é que telefonar e navegar na internet sai mais caro em Angola do que noutros países, tendo em conta o serviço prestado.

“Nos outros países a internet é mais barata e são países em que a tecnologia é muito mais avançada que o nosso. Então porquê que nós, que queremos nos afirmar no mercado tecnológico, vamos estar a vender o saldo a este preço?”, questiona a usuária.

Outro utilizador, Júlio, já decidiu o que vai fazer a partir de outubro: falar menos ao telefone e navegar menos na internet – é a única forma de poupar. “Se antes carregava duas ou três vezes por mês o telefone, agora só vai ser mesmo uma vez. E desta única vez temos que ver qual será a necessidade”, diz. (DW)

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