PT perde São Paulo em quadro de ampla derrota eleitoral para o partido

O ex-presidente Lula enxuga as lágrimas na entrevista coletiva em São Paulo, em 15 de setembro de 2016 (Afp)

O PT perdeu neste domingo (2) a prefeitura de São Paulo, a maior cidade do país, assim como muitos outros de seus redutos eleitorais, em meio às denúncias de corrupção que pesam sobre o partido.

Com mais de 99% das urnas apuradas, o candidato do PSDB, João Dória, aparecia com 53,28% dos votos, uma ampla vantagem em relação ao segundo lugar, o prefeito petista em final de mandato, Fernando Haddad, com 16,70%.

Segundo Dória, Haddad lhe telefonou para felicitá-lo pela vitória.

“Vamos devolver a São Paulo o papel que merece”, declarou o candidato tucano.

Atingido pelas acusações de corrupção na Petrobras, que envolvem seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10), o PT também perdia as prefeituras de cidades emblemáticas como São Bernardo do Campo.

E, das quatro capitais conquistadas em 2012, conseguiu manter apenas uma, Rio Branco, no estado do Acre.

“É uma derrota muito dura para o PT. Esperava-se uma resposta negativa das urnas, porque os eleitores não separam os problemas nacionais dos municipais, e a crise do governo do PT contaminou as eleições”, disse à AFP o cientista político e professor Michael Mohallem, da Fundação Getulio Vargas.

“A dúvida era o quão profundo seria o impacto. E foi muito profundo. Esse resultado antecipa a preocupação do PT e de outros partidos de esquerda de olho em 2018”, afirmou o analista.

O PT já havia perdido 108 das 642 prefeituras conquistadas nas eleições de 2012, segundo números do próprio partido. A maioria acabou migrando para outros partidos.

Nos últimos dos 13 anos em que o PT esteve no poder, esses governos também foram afetados pela recessão econômica, que já deixou 12 milhões de pessoas sem emprego.

Ao votar em São Bernardo do Campo, Lula deu, porém, sinais de otimismo sobre a possibilidade de reverter a situação antes de 2018.

“Quanto mais ódio se estimula contra mim, mais amor se cria (…) Essa gente vai se surpreender, porque, a partir dessas eleições, vou começar a andar pelo Brasil”, anunciou.

Prévia de 2018

Essas eleições são uma antessala da disputa presidencial de 2018 e as primeiras desde o de Dilma Rousseff, destituída em 31 de agosto e substituída por seu então vice, o peemedebista Michel Temer.

A vitória de Dória em São Paulo coloca em confortável posição o PSDB, partido que apoiou a saída de Dilma e agora é parte da aliança que governa junto com Temer.

“A eleição de Dória foi uma surpresa grande. Foi uma aposta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que fica em boa posição dentro do PSDB para ser candidato a presidente em 2018”, comentou Mohallem.

Em São Paulo, lembra-se, o PMDB de Temer apoiava a candidatura de Marta Suplicy, que ficou bem atrás nos votos.

No Rio de Janeiro, haverá segundo turno entre o bispo evangélico e senador Marcelo Crivella (PRB) e o candidato Marcelo Freixo (PSOL).

Com 100% das urnas apuradas, Crivella tinha 27,78% dos votos contra Freixo, com 18,26%.

O PT não apresentou candidato próprio no Rio, mas tanto Lula quanto Dilma apoiaram a candidata Jandira Feghali (PCdoB), que teve um desempenho pífio nas urnas.

A votação para eleger mais de 5.500 prefeitos e milhares de vereadores de 26 estados federais não registrou “qualquer incidente grave”, informou o TSE mais cedo.

Segundo o último boletim, 83 candidatos foram detidos, em sua maioria por fazer propaganda eleitoral não autorizada.

Depois de uma série de homicídios – especialmente no estado do Rio, onde 15 candidatos a prefeito, ou a vereador, foram assassinados -, o Ministério da Defesa enviou 25.000 militares para reforçar a segurança em 488 cidades de 16 estados.

Para o presidente do TSE, Gilmar Mendes, essas eleições foram “as mais violentas” dos últimos anos, especialmente no Rio, “onde o crime organizado, as milícias e os traficantes de drogas participam da eleição e têm candidatos”. (Afp)

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