Proibido comércio internacional de papagaio-cinzento africano

(Afp)

Os delegados presentes na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES) votaram a favor da proibição do comércio internacional do papagaio-cinzento africano, uma das aves que mais se trafica.

Apreciado por sua habilidade para imitar a linguagem dos humanos, é um dos animais de companhia mais demandados, mas sua população se viu dizimada nos últimos anos devido à destruição de seus habitats naturais.

A convenção da CITES de Joanesburgo resolveu, por 95 votos a favor e 35 contra em uma consulta secreta, proibir o comércio mundial deste papagaio.

A CITES afirmou que esta votação outorgaria ao papagaio-cinzento o “nível mais alto de protecção” ao inclui-lo no “Anexo I”, no qual constam todos os animais cujo comércio é proibido por estarem em perigo de extinção.

Colma O’Criodain, da organização de defesa da natureza WWF, disse que se tratava de um “grande passo adiante” para a protecção desta ave.

“A fraude e a corrupção permitiram aos traficantes exceder amplamente as cotas atuais e seguir comercializando ilegalmente com um número insustentável de papagaios-cinzentos, extraídos dos bosques do Congo”, denunciou.

O Fundo Internacional para a Protecção dos Animais (IFAW) calcula que entre 2,1 e 3,2 milhões de papagaios-cinzentos africanos foram capturados entre 1975 e 2013.

Susan Lieberman, da Sociedade pela Conservação do Meio Ambiente, declarou que o papagaio havia experimentado uma “diminuição significativa de sua população no oeste, no centro e no leste da África”.

“É extremamente raro ou está extinto localmente em Benin, Burundi, Guiné-Bissau, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Togo”, assegurou em um comunicado.

“Se este pássaro pudesse falar – e na verdade pode – o papagaio cinzento diria ‘obrigado'”.

O tratado da CITES, assinado por 182 países, protege 5.600 espécies animais e 30.000 de plantas da super-exploração fruto do comércio internacional.

A reunião, que termina nesta quarta-feira, trabalha sobre 62 propostas que concernem cerca de 500 espécies. (Afp)

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