Presidente da Turquia pede à UE que se pronuncie claramente sobre sua adesão

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara, no dia 29 de Setembro de 2016 (AFP)

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, exigiu neste sábado à União Europeia (UE) que se pronuncie claramente a favor ou contra a adesão da Turquia ao bloco, durante um discurso diante de parlamentares em Ancara.

“Chegamos ao final do jogo”, afirmou o presidente turco no Parlamento em Ancara com motivo do novo ciclo de sessões em alusão à UE.

“Não há nenhum obstáculo para que a Turquia se transforme em um país-membro se a UE desejar, estamos prontos”, completou, estimando que “são eles que devem dizer se querem seguir com ou sem a Turquia”.

“O fato de que nos deixam na porta há 53 anos é uma amostra de suas (verdadeiras) intenções connosco”, declarou, convidando os países-membros a serem honestos e definirem suas intenções.

O projecto de adesão à UE data os anos 1960, enquanto as negociações formais começaram em 2005. “A atitude da Europa é a de alguém que não quer honrar sua promessa feita à Turquia”, declarou o presidente.

Erdogan criticou “as declarações da União, em particular as que dizem respeito à luta contra o terrorismo, que é um tema de sobrevivência para a Turquia”, estimando que a UE “tenta fazer disso um critério no processo de adesão”.

“A Turquia sempre cumpriu seus compromissos com a Europa”, assegurou Erdogan, que recordou além disso que a obrigação de visto imposta aos cidadãos turcos para viajar à Europa deveria ser suspensa em Outubro, “um mês importante” para as relações do país com a UE, segundo o líder turco.

Para deter a chegada à costa europeia de migrantes procedentes principalmente da Síria, a UE e Ancara firmaram em Março um acordo pelo qual o país se comprometia a fazer impermeável sua fronteira e sua costa enquanto a UE se comprometeu a compensar financeiramente a Turquia, suspender a obrigação do visto e acelerar o processo de adesão.

Desde que foi fechado o acordo as relações estão tensas após a tentativa de golpe de Estado de 15 de Julho. O presidente Erdogan denunciou então o que chamou de uma falta de paio da parte de seus homólogos europeus.

De modo paralelo, a inquietação da Europa pelos expurgos lançados por Ancara aumentou. (AFP)

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