Presidente da República considera que país progride bem

Presidente da República, José Eduardo dos Santos, discursa na reunião solene de abertura da 5ª Sessão legislativa da III Legislatura (Foto: Pedro Parente)

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, referiu nesta segunda-feira, em Luanda, que apesar da crise económica e financeira internacional, provocada pela queda do preço do petróleo, o país está a progredir bem.

No seu discurso à Nação, na cerimónia de abertura da 5ª Sessão Legislativa da III Legislatura da Assembleia Nacional, referiu que a exemplo disso está a baixa progressiva dos preços dos bens essenciais, da inflação e da taxa de juros, bem como a recuperação da actividade das empresas e dos níveis de emprego.

José Eduardo dos Santos acrescentou que são também exemplo disso a retomada dos ganhos da paz que começavam a ser afectados, nos domínios da educação, saúde, assistência social e da desminagem.

Por este motivo o estadista referiu que “a economia não estagnou, apenas perdeu a pujança com que se vinha desenvolvendo, por causa da crise actual”.

Salientou que, apesar de Angola sofrer as consequências da crise económica e financeira internacional, desde 2008, mesmo assim cumpriu mais de metade das metas estabelecidas pelas Nações Unidas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015, no que diz respeito a sectores como emprego formal, abastecimento de energia e água potável, saúde e saneamento do meio, educação e formação profissional, entre outros.

Argumentou que todas as conquistas devem-se, em primeiro lugar, ao clima de paz que se instalou de forma definitiva no país desde 2002, que é obra de todos os angolanos.

“Foi a paz que devolveu aos angolanos a esperança de um futuro melhor, um quadro de liberdade, justiça e inclusão social”, acrescentou.

Por isso, disse, “temos de continuar a nos esforçar para que a paz se venha a tornar na principal força identitária entre os angolanos, de todas as origens e crenças religiosas e para que se mantenha o espírito de união, tolerância, respeito pelas diferenças e valores em que assenta a democracia”.

O presidente advogou que um dos caminhos escolhidos para sair da crise é a diversificação da economia, “que, por sinal, não é uma ideia nova e muitos questionam porque razão não se deu início a este processo muito antes”.

Na verdade, disse, ela teve início há muito tempo, só que não existiam condições objectivas no país para se avançar mais depressa.

“Quando terminou a guerra, em 2002, Angola e o Cambojda eram os países do Mundo que tinham mais minas anti-pessoal e anti-tanque. Falou-se, na altura, em cerca de 2 milhões de minas implantadas. Estavam minados os acesso aos campos agrícolas, as três linhas de caminhos-de-ferro, as respectivas pontes, as zonas adjacentes as torres de energia eléctrica e as centrais, condutas de água, entre outras”, explicou.

Mesmo em Luanda, referiu, foi necessário construi-se uma protecção ao longo de toda a conduta de água potável, patrulhada dia e noite, bem como foi também erguida uma vedação no traçado da actual via expressa, que ainda não existia, para proteger a cidade de operações de pilhagem e ataques bombistas.

“Não era assim surpresa que Luanda continuasse iluminada, apesar das centenas de postes derrubados, pois tinha sido possível implantar geradores em todos os município. Quando começou a reconstrução tivemos de desminar todo o território nacional para podermos avançar, não poderíamos construir sem desminar primeiro”, disse.

Nos primeiros anos, salientou, tivemos de fazer em todo o país um levantamento e a sinalização das minas para se evitar acidentes.

Nestas condições, questionou o Presidente, “como poderíamos acelerar o desenvolvimento da agricultura familiar e comercial? Quem andasse pelo país poderia verificar grandes quantidades de tractores e máquinas pesadas de construção civil avariadas ou destruídas e foi necessário fazer quase tudo de novo, desminar, reconstruir, reequipar e reorganizar”.

O Presidente defendeu que não se pode falar de Angola como se estivéssemos a falar de Portugal, Cabo Verde, Senegal ou outro país, porque “a nossa história não é igual, nem parecida a dos outros e os angolanos estão conscientes deste facto e sabem o que querem e como construir o seu futuro”, disse.

Por este facto, disse, escolheu o caminho da diversificação da economia e, com realismo, está a dar passos seguros para a concretização deste caminho.

O acto decorreu pela primeira vez no novo edifício da Assembleia Nacional, inaugurado pelo estadista angolano, em Novembro de 2015, e nele estiveram presentes representantes dos órgãos de soberania, auxiliares do Chefe do Executivo, membros do corpo diplomático e da sociedade civil, autoridades tradicionais e entidades religiosas.

Nos termos do Regimento da Assembleia Nacional, a Legislatura compreende cinco sessões Legislativas ou anos parlamentares, sendo que cada ciclo inicia a 15 de Outubro e termina a 15 de Agosto do ano seguinte. O acto de hoje se tornou tradiçional, desde a abertura da III Legislatura (2012-2017).

Na presente legislatura o MPLA conta com 175 deputados, a UNITA 32, a CASA-CE oito, o PRS três e a FNLA dois. (Angop)

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